EUA reativam mina histórica de tungstênio para blindar suprimento e desafiar domínio chinês
Em um movimento estratégico para fortalecer suas cadeias de suprimentos e reduzir a dependência de potências estrangeiras, os Estados Unidos anunciaram a reativação de uma usina de processamento de tungstênio em Nevada, inativa há 44 anos. A iniciativa, que conta com o apoio do governo norte-americano, visa atenuar as restrições de exportação impostas pela China, um dos maiores produtores globais do metal.
A mineradora australiana EQ Resources se une a um consórcio para retomar as operações na Mina Springer, um complexo que promete ser crucial para a segurança industrial e tecnológica do país. A medida reflete a crescente preocupação de Washington em garantir o acesso a minerais críticos, essenciais para setores que vão da defesa à inteligência artificial.
Mina Springer: o renascimento de um gigante adormecido
Construído na década de 1970 pela General Electric e sua então subsidiária Utah Mining, o complexo da Mina Springer, localizado no deserto de Nevada, teve uma vida útil breve. Operou por menos de um ano antes de ser forçado a fechar em 1982, impactado por uma onda de oferta de tungstênio vinda da China que derrubou os preços no mercado global.
Agora, o cenário é outro. Com Pequim implementando controles de exportação, a mina está prestes a ser reaberta como parte de um plano financiado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. O objetivo principal é assegurar o suprimento doméstico de tungstênio, um metal de ampla aplicação em produtos industriais, de defesa e tecnológicos, incluindo componentes para chips de inteligência artificial e centros de dados.
Investimento estratégico e parceria internacional
O Departamento de Defesa dos EUA confirmou um investimento substancial, adquirindo US$ 450 milhões em ações da Elmet Group, uma fabricante de componentes críticos. A Elmet, por sua vez, apoiará financeiramente a Blue Moon Metals, empresa canadense que é proprietária e operadora da Mina Springer.
A EQ Resources integrará uma joint venture com a Elmet e a Blue Moon para possuir e operar a usina de processamento de paratungstato de amônio (APT) do local. A companhia australiana deterá uma participação de 10%, enquanto a Elmet e a Blue Moon terão 70% e 20%, respectivamente. A expectativa é reiniciar as operações no fim do próximo ano, marcando a primeira extração doméstica do material desde 2015.
A EQ Resources, reconhecida como a maior fornecedora de tungstênio fora da China, contribuirá com concentrado de tungstênio de suas minas na Austrália e na Espanha. Além disso, a empresa fornecerá à Blue Moon sua avançada tecnologia de classificação de minério e outras formas de assistência técnica. A Blue Moon projeta que a planta de APT estará em pleno funcionamento no segundo semestre de 2028, com custos de reforma e modernização estimados em cerca de US$ 75 milhões.
O impacto das restrições chinesas e a resiliência do mercado
Desde que a China introduziu controles de exportação em fevereiro do ano passado, o mercado de tungstênio sentiu o impacto. O preço do APT de Roterdã, um produto de referência, disparou de menos de US$ 400 por unidade de tonelada métrica para mais de US$ 3 mil, evidenciando a vulnerabilidade das cadeias de suprimentos globais.
Jono Kort, diretor financeiro da EQ Resources, destacou a resiliência das instalações da Mina Springer, inativas desde os anos 80. Em uma visita recente, ele observou que o clima desértico e seco da região minimizou a corrosão, com equipamentos e estruturas em condições surpreendentemente boas. Kort ressaltou que, embora a possibilidade de a China aumentar as exportações e reduzir os preços sempre exista, a bifurcação do mercado parece cada vez mais consolidada, impulsionada pelos esforços do governo dos EUA para eliminar materiais chineses e russos de suas cadeias de suprimentos de defesa. O Departamento de Defesa também concedeu à Elmet um contrato de US$ 2 bilhões para fornecer tungstênio à Agência de Logística de Defesa dos Estados Unidos, reforçando a estratégia de segurança de suprimentos. Para mais informações sobre minerais críticos, visite o site do USGS.
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