Zuenir Ventura tem obra que reconta a História do Brasil; relembre livros do jornalista
Zuenir Ventura, jornalista e escritor mineiro que morreu nesta terça-feira (22) aos 95 anos, tem obra literária que se debruça em fatos e características históricas do Brasil.
Membro da Academia Brasileira de Letras desde 2014 e vencedor de prêmios como Jabuti, Esso e Vladimir Herzog, o autor abordou temas como a ditadura militar, o assassinato do seringueiro e sindicalista Chico Mendes e a desigualdade social no Rio de Janeiro.
As obras se ligam à prática jornalística do mineiro, que atuou ao longo dos anos em veículos como O Cruzeiro, Veja, Isto É e Jornal do Brasil. Mais recentemente, ele trabalhou no O Globo.
RELEMBRE LIVROS DE ZUENIR VENTURA
“1968 — O ANO QUE NÃO TERMINOU” (1988)
Principal obra da carreira de Zuenir Ventura, o livro lançado em 1988 vendeu mais de 400 mil cópias e destrincha marcos ocorridos em 1968 no Brasil e no mundo, costurando política, arte e sociedade.
No próprio ano no qual se debruça, o jornalista foi afetado pelo Ato Institucional 5 e acabou sendo preso, ficando encarcerado por cerca de três meses. Como uma reportagem de fôlego, a obra relembra fatos como a Passeata dos Cem Mil, no Brasil, e o Maio de 1968, na França.
“CIDADE PARTIDA” (1994)
Após uma chacina que vitimou 21 pessoas, ocorrida em 1993 na favela de Vigário Geral, Zuenir Ventura passou 10 meses frequentando o território para construir a obra.
A partir da convivência em um lado pouco explorado da capital fluminense, o jornalista construiu o livro de não ficção que aborda aspectos como violência policial, desigualdade social e a mobilização da sociedade civil em prol da paz.
Em 1995, Zuenir ganhou troféu no Prêmio Jabuti pela obra, reconhecida na categoria de Melhor Reportagem.
“CHICO MENDES – CRIME E CASTIGO” (2003)
Em 1989, Zuenir produziu e publicou a série de reportagens “O Acre de Chico Mendes”, sobre o assassinato do ambientalista, no Jornal do Brasil. Com o trabalho, ele venceu os prêmios Esso e Vladimir Herzog, de jornalismo.
A produção da época foi recuperada e ampliada anos depois como o livro “Chico Mendes, Crime e Castigo”, de 2003. Para este lançamento, o jornalista retornou ao Acre para coletar informações atualizadas sobre os legados do sindicalista e o julgamento dos assassinos.
“VOZES DO GOLPE 1964”, COM LUIZ FERNANDO VERÍSSIMO E MOACYR SCLIAR (2004)
Publicação especial, ela reúne Zuenir Ventura com os também escritores Luiz Fernando Veríssimo e Moacyr Scliar. Os três produziram textos sobre o golpe militar de 1964, sendo parte ficção e parte relatos pessoais, abordando contextos prévios e o desenvolvimento do regime.
Na obra, a parte do mineiro é focada em acontecimentos que ele mesmo vivenciou antes do início da ditadura. Entre eles, o Comício das Reformas, ocorrido em 13 de março na Central do Brasil, no qual 300 mil manifestantes se reuniram.
Zuenir relata, ainda, o que vivenciou no próprio dia do golpe, quando estava em Brasília prestes a assumir como professor na Escola de Comunicação da UnB. Como uma crônica, ele narra as reações frente às notícias e fatos que marcaram a data.
“1968: O QUE FIZEMOS DE NÓS” (2008)
O livro “1968 — O ano que não terminou” marcou a carreira de Zuenir, tendo sido reeditado dezenas de vezes. O autor, no entanto, revisitou a proposta e o ano com um novo olhar e, assim, publicou o livro reportagem “1968: O Que Fizemos de Nós”.
A obra mergulha nas diferenças e semelhanças entre a juventude do século XXI e aquela dos anos 1960, discutindo aspectos como drogas, política e liberdade. Um dos destaques do livro é o episódio em que Zuenir narra a experiência de ir em uma rave na Zona Oeste do Rio de Janeiro, aos 75 anos, e entender a cultura eletrônica e o consumo de drogas sintéticas
Em entrevista ao Memória Globo, Zuenir resumiu a obra: “Abordei as heranças importantes que 1968 deixou: o movimento feminista, o de negros, o movimento gay e o ecológico. E uma herança maldita, que são as drogas”.
Fonte:Diário do Nordeste

