Nasa testou limites da ‘ameba do fogo’ a 60ºC com sucesso, subiu para 66ºC e depois a impressionantes 70ºC; organismo seguiu vivo até o limite de 80ºC
Uma espécie da “ameba de fogo” capaz de sobreviver a temperaturas extremas estabeleceu um novo recorde ao conseguir se reproduzir em um ambiente com temperatura superior a 64°C (147°F). Conhecida como Incendiamoeba cascadensis, ela normalmente interrompe a reprodução a partir de 62°C (145°F), o limite estabelecido anteriormente foi de 60°C (140°F).
A descoberta foi feita por cientistas que encontraram a molécula nas águas aquecidas do Parque Nacional Vulcânico Lassen, na Califórnia, nos Estados Unidos. A informação foi divulgada nesta terça-feira (22) pela Nasa (Agência Espacial Americana), que financia parte da pesquisa sobre microrganismos.
Este vídeo mostra a motilidade da Incendiamoeba cascadensis a 60ºC. Quando levado ao limite no laboratório, I. cascadensis pode permanecer parcialmente ativo a 150,8 graus Fahrenheit (66 graus Celsius) e pode se recuperar da exposição a impressionantes 158 graus Fahrenheit (70 graus Celsius) por cinco minutos e pode seguir viva até 156 graus Fahrenheit (80 graus Celsius);
A espécie é eucarionte, ou seja, suas células possuem um núcleo organizado isolado do citoplasma por membrana nuclear. Por essa ser sua estrutura tradicional, ela já é considerada mais resistente a temperaturas extremas.
No entanto, segundo Beyl Rappaport, estudante de pós-graduação da Universidade de Syracuse e autora principal do estudo, a nova pesquisa mostra que a estrutura pode ultrapassar o limite de reprodução de calor que os cientistas imaginavam.
“Conseguimos descobrir muitas estratégias que poderiam ajudar a I. cascadensis a sobreviver em altas temperaturas, e algumas dessas estratégias poderiam ser usadas por termófilos em toda a vida. Por exemplo, algumas proteínas de I. cascadensis possuem uma alta carga positiva na superfície que pode ajudá-las a se manterem estáveis. Essas cargas proteicas são semelhantes às encontradas em bactérias e arqueias termofilas”, afirma Rappaport.
O que são organismos termófilos?
Os organismos que conseguem viver em ambientes de alta temperatura são chamados de termófilos. Para ser considerado um termófilo, um organismo precisa ser capaz de crescer e se reproduzir em altas temperaturas.
Os termófilos podem ser encontrados entre organismos procariontes, como bactérias e arqueias, e eucariontes, como no caso da ameba de fogo.
A resistência da Incendiamoeba cascadensis chama a atenção porque as altas temperaturas podem provocar a degradação de proteínas e outras biomoléculas fundamentais para o funcionamento celular. O calor extremo também pode comprometer as membranas que envolvem as células e as organelas.
“Em parte, estudos sobre eucariotas podem ter sido limitados devido a suposições sobre a estabilidade das membranas. Esperamos que a descoberta de I. cascadensis incentive outros a continuarem buscando eucariotos de alta temperatura”, afirma Rappaport.
O que isso tem a ver com a vida fora da Terra?
Há muito tempo, os astrobiólogos estudam os limites de sobrevivência dos organismos na Terra para entender até que ponto a vida poderia existir em ambientes extremos de outros planetas, como Marte.
O principal objetivo é identificar possíveis estratégias biológicas que poderiam existir em outros mundos. Segundo a Nasa, a capacidade da I. cascadensis de se reproduzir desta forma amplia o conhecimento sobre os limites conhecidos da vida na Terra.
“Encontrar eucariotos sobrevivendo em ambientes de alta temperatura não só amplia nossa compreensão de onde a vida poderia ser encontrada, mas também de quão complexa essa vida poderia ser”, diz Alison Olcott, cientista do programa de Exobiologia na sede da Nasa em Washington.
Fonte:CNN Brasil

