Quatro regiões hidrográficas do Ceará têm situação crítica de escassez declarada

As regiões hidrográficas do Rio Banabuiú, dos Sertões de Crateús, do Médio e do Baixo Jaguaribe tiveram a situação crítica de escassez hídrica declarada pela Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) do Ceará, em 13 de agosto. A declaração, publicada no Diário Oficial do Estado, é emitida quando as bacias chegam a menos de 30% da capacidade de reserva.

De acordo com o secretário Ramon Rodrigues, titular da SRH, o ato declaratório de escassez hídrica é uma ferramenta legal que subsidia as decisões da gestão dos açudes do Estado. A partir do dispositivo, é possível, caso seja necessário, suspender o uso da água para setores produtivos, priorizando o abastecimento humano e a dessedentação animal.

Além disso, a declaração de escassez hídrica pode ser utilizada para a implementação de uma tarifa de contingência na conta de água dos moradores dessas regiões. Durante a última grande seca do Ceará, a medida foi instaurada na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) com o intuito de diminuir o consumo residencial.

No entanto, não há planos para a aplicação de tarifas ou medidas de contingência no momento, segundo Ramon.

SITUAÇÃO DAS BACIAS EM ESCASSEZ HÍDRICA

SERTÕES DE CRATEÚS:
Composta por dez açudes, a região tem apenas 15,69% de armazenamento. Ou seja, apesar de ter capacidade para guardar 391 hectômetros cúbicos (hm³) de água, os reservatórios da bacia só têm 61,36 hm³.

Conforme Ramon, Sertões de Crateús é a região que mais preocupa a gestão. “É uma região mais seca, onde os estoques hídricos são baixos e as alternativas são poucas, porque a gente depende da construção do Açude Fronteiras, que ainda está em em obras. Tem uma série de coisas que torna essa região mais vulnerável e requer da gente uma atenção maior”, explica.

BANABUIÚ:
Com 18 açudes monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), a região tem 29,04% da capacidade preenchida — 773,41 hm³ de 2.663,49 hm³. O maior reservatório, que dá nome à bacia, está com 30,20% de água.

Apesar de ter bem mais água reservada que a região de Sertão de Crateús, a bacia do Banabuiú atende uma demanda também maior, de 15 municípios.

MÉDIO E BAIXO JAGUARIBE:
As regiões do Médio e Baixo Jaguaribe têm características que as diferenciam da situação das demais, apesar de também serem mencionadas no ato declaratório. Tendo apenas o açude Santo Antônio de Russas, a bacia do Baixo Jaguaribe é a menor do Estado em capacidade e está com 26,19% de reserva.

Já o Médio Jaguaribe tem 15 açudes, incluindo o Castanhão – maior reservatório da América Latina. Apesar de estar com 30,29% de capacidade preenchida, a bacia tem a maior quantidade de água do Estado: 2.235,15 hm³. A água do sistema Orós-Castanhão, inclusive, está sendo bombeada pelo Eixão das Águas para abastecer a Região Metropolitana de Fortaleza.

PREOCUPAÇÃO COM O EL NIÑO FORTE
O secretário Ramon Rodrigues afirma que a gestão dos recursos hídricos está atenta aos efeitos do fenômeno El Niño, que já atingiu intensidade forte e mostra tendência de ser agravado até o fim de 2026.

“A gente não sabe como o próximo inverno vai acontecer. Nós sabemos que nesse período que não chove, no segundo semestre, vai aumentar muito a evaporação e o consumo por conta do aquecimento. Com o super El Niño, você tem ventos mais fortes, que a gente pensa que resfria, mas também evapora mais”, afirma.

Ainda sem as previsões sobre o comportamento do oceano Atlântico, que também interfere nas chuvas do Ceará, não é possível saber qual será o impacto do El Niño na quadra chuvosa do Estado. Por isso, a gestão das reservas atuais ganha ainda mais atenção.

Ao todo, o Ceará tem 47,79% de reserva hídrica, o que equivale a 8.688 hm³. Os dados são do Portal Hidrológico do Ceará, consultados no dia 18 de setembro de 2026.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:Diário do Nordeste