Lula pede união de aliados para evitar racha em disputa ao Senado no Pará
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez um apelo público nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2026, para que seus aliados no Pará reavaliem as candidaturas ao Senado Federal. A preocupação central do petista reside na existência de três postulantes para apenas duas vagas disponíveis na Casa Alta, um cenário que, segundo ele, pode fragmentar os votos da base aliada e beneficiar adversários políticos.
Durante um evento em Belém, Lula dirigiu-se diretamente aos envolvidos: Helder Barbalho (MDB), Chicão (União Brasil) e Celso Sabino (PDT). A mensagem foi clara sobre a necessidade de uma estratégia unificada para garantir a eleição de representantes alinhados aos interesses do governo, evitando a dispersão de forças em um pleito crucial para a composição do Congresso Nacional.
Apelo presidencial por estratégia eleitoral
Em seu discurso, o presidente Lula enfatizou a seriedade da disputa eleitoral, alertando para os riscos de uma candidatura tripla. “Nós só temos duas vagas pro Senado. E nós temos 3 candidatos. Você sabe que eu quero que você [Celso Sabino] seja candidato ao Senado. O Chicão, por todo o direito, também quer ser candidato ao Senado. O Chicão tem o apoio do companheiro Helder, e você tem o meu apoio. Mas a gente não está brincando. Isso aqui não é brincadeira”, declarou, sublinhando a importância de uma decisão estratégica.
A fala do presidente reflete a preocupação em consolidar a base de apoio no Senado, um pilar fundamental para a governabilidade e a aprovação de pautas de interesse do Executivo. A divisão de votos entre aliados poderia abrir espaço para a eleição de nomes da oposição, dificultando a articulação política nos próximos anos.
O cenário da disputa pelas vagas no Senado
A complexidade da situação no Pará se manifesta na força política dos três pré-candidatos. Helder Barbalho, ex-governador e figura proeminente do MDB no estado, possui uma base eleitoral consolidada. Chicão, do União Brasil, conta com o apoio direto de Barbalho, enquanto Celso Sabino, do PDT, tem o respaldo explícito do presidente Lula.
Essa dinâmica cria um impasse que exige articulação e diálogo entre as lideranças partidárias. A eleição para o Senado é majoritária, e a pulverização de candidaturas aliadas pode ser um fator decisivo para o resultado final, especialmente em um estado com grande peso político como o Pará.
Reunião de cúpula para definir rumos
Para resolver o impasse, Lula sugeriu uma reunião entre os presidentes do PT, Edinho Silva, e do MDB, Baleia Rossi. O objetivo é que as cúpulas partidárias avaliem o cenário e definam qual dos três candidatos possui as melhores condições de ser eleito senador da República pelo Pará.
“Acho que o presidente do meu partido tem que ter responsabilidade junto com o presidente do MDB de amanhã ou no máximo depois de amanhã, fazer uma avaliação para saber qual dos nossos 3 têm condições de ser eleito senador da República aqui nesse Estado”, afirmou o presidente. A urgência na decisão visa evitar que a disputa interna fortaleça nomes alinhados à oposição, como Flávio Bolsonaro (PL).
A união é vista como essencial para evitar a eleição de um “espírito de porco que vai nos criar caso”, nas palavras de Lula, referindo-se a um candidato que poderia atuar contra os interesses da base governista no Congresso. Para mais informações sobre o cenário político nacional, acesse Poder360.
A posição de Helder Barbalho na corrida
Durante o mesmo comício em Belém, Helder Barbalho demonstrou seu apoio explícito a Chicão, pedindo votos para a chapa “Helder 151 e Chicão, 444”, e omitindo Celso Sabino de seu apelo. Contudo, Barbalho fez questão de ressaltar que foi ele quem apresentou Sabino a Lula para o cargo de ministro do Turismo, enfatizando que, apesar da disputa pela mesma vaga, não há inimizade entre eles.
A declaração de Helder ilustra a complexidade das alianças e das estratégias individuais dentro de um mesmo bloco político. A busca por votos para si e para um aliado próximo reflete a tentativa de maximizar as chances de eleição de sua esfera de influência.
União em Belém: presenças no comício
O evento em Belém, palco do apelo presidencial, contou com a presença de diversas figuras políticas importantes do Pará e da base aliada. Além de Lula, estiveram presentes a governadora do Pará, Hana Ghassan (MDB), que busca a reeleição; o prefeito de Belém, Igor Normando (PSDB); e o senador Beto Faro (PT).
A reunião dessas lideranças demonstra a mobilização em torno da campanha e a importância estratégica do estado para as eleições vindouras. A presença conjunta de diferentes partidos reforça a ideia de uma frente ampla, apesar dos desafios internos na definição das candidaturas ao Senado.
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