Nova lei europeia ameaça futuro de veículos elétricos japoneses no continente
Fabricantes japoneses de veículos elétricos (EVs) enfrentam um cenário de incerteza e potencial revés na União Europeia (UE). Uma proposta de legislação industrial, conhecida como Lei do Acelerador Industrial (IAA), está em avaliação pelos estados-membros e pode favorecer significativamente os EVs produzidos dentro do bloco, colocando em risco as operações de montadoras estrangeiras, especialmente as do Japão.
A medida visa fortalecer a indústria europeia de veículos elétricos, mas suas exigências podem criar barreiras substanciais para empresas que atualmente importam a maior parte de seus modelos para a região. O impacto potencial é tão grande que um executivo do setor automotivo japonês chegou a afirmar que as operações na Europa correm o risco de colapsar.
Impacto da Lei do Acelerador Industrial nos Veículos Elétricos
A proposta da Lei do Acelerador Industrial concede tratamento preferencial a produtos fabricados na UE, com requisitos específicos para veículos elétricos. Para se qualificarem a subsídios e incentivos fiscais, os EVs deverão ter 70% de seus componentes fabricados na União Europeia e serem montados na região.
Essa exigência tem implicações diretas em um segmento crucial do mercado: os “carros de empresa”. Na Europa, é comum que corporações ofereçam veículos aos funcionários para uso particular como parte de seus pacotes de remuneração, usufruindo de benefícios fiscais. Esses carros representam cerca de 60% dos novos emplacamentos no mercado automotivo europeu. Com a IAA, veículos elétricos fabricados fora da UE não seriam elegíveis para esses benefícios. Além disso, pessoas físicas que comprassem EVs de origem não-UE também perderiam o direito a subsídios governamentais.
Mesmo com um acordo de parceria econômica entre o Japão e a UE, a legislação proposta não isentaria os veículos elétricos fabricados no Japão, intensificando a preocupação das montadoras.
Cenário Atual e Desafios para Montadoras Japonesas
O mercado europeu de veículos elétricos está em plena expansão, com vendas totalizando 2,72 milhões de unidades no ano passado, representando 18% do mercado total. Projeções indicam que essa participação pode chegar a 85% até 2035 e a 98% até 2038, embora essas estimativas não considerem o impacto da IAA.
Atualmente, as marcas japonesas detêm pouco mais de 10% do mercado automotivo europeu, mas sua participação no segmento de veículos elétricos é significativamente menor, girando em torno de 2%. O principal desafio reside no fato de que a maioria das fábricas japonesas que produzem EVs para a Europa está localizada fora da região. A Toyota, por exemplo, possui 12 modelos de veículos elétricos, mas quase todos são importados para a UE a partir do Japão e de outros países. Embora a montadora tenha fábricas na França e em Portugal, e planeje iniciar a produção de EVs na República Tcheca até 2028, a dependência de importações é alta. Outros exemplos incluem a Suzuki, que importa seus EVs da Índia, e a Nissan, que produz o Leaf no Reino Unido, um país fora da UE.
Contexto Geopolítico e a Ascensão Chinesa no Mercado Europeu
A Lei do Acelerador Industrial parece ter um objetivo claro: proteger os fabricantes locais da crescente concorrência, especialmente dos concorrentes chineses. A empresa de pesquisa francesa Inovev revelou que veículos chineses representaram 11,5% das vendas de EVs na Europa em 2025, com um impressionante crescimento de 90% no volume de vendas.
A maioria dos veículos elétricos chineses também é fabricada fora da UE, mas há uma tendência recente de montadoras chinesas adquirirem fábricas na Europa, como a transferência da propriedade da fábrica da Stellantis na Espanha para uma joint venture com a chinesa Leapmotor Technology. Esse movimento complica o cenário e reforça a necessidade de reestruturação da cadeia de suprimentos, conforme apontado por Keisuke Hanyuda, CEO do Owls Consulting Group.
Próximos Passos da Legislação e Prazos
A proposta da Lei do Acelerador Industrial será analisada separadamente pelo Parlamento Europeu e pelo Conselho da UE até dezembro. O prazo para os legisladores apresentarem emendas à IAA é iminente. Se aprovada, a legislação poderá entrar em vigor já em 2028, remodelando profundamente o mercado de veículos elétricos na Europa e as estratégias de fabricantes globais. Para mais informações sobre a legislação europeia, visite o site oficial do Parlamento Europeu: www.europarl.europa.eu.
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