Os apartamentos encolheram? O que os novos projetos nos explicam
O apartamento que já existia não encolheu, mas o novo ficou muito menor. Essa diferença muda a história de que a moradia está ficando minúscula.
Em São Paulo, a primeira impressão parece certa. Os apartamentos estão sim ficando menores no lançamento.
Na primeira década dos anos 2000, os apartamentos lançados tinham cerca de 86 metros quadrados de área privativa. De 2020 pra cá, a metragem caiu para 36 metros quadrados.
Quando se observa a primeira venda desses imóveis, a área também caiu na mesma proporção. Cerca de 90 metros quadrados cederam a 35 metros. Por dois caminhos diferentes, o apartamento novo, sim, encolheu.
No entanto, se o estoque inteiro estivesse diminuindo, os apartamentos antigos também deveriam ser vendidos em uma metragem menor – o que é possível ser feito de diversas formas, como dividir a matrícula ou quebrar o apartamento.
Os apartamentos da década de 90 continuam sendo vendidos com uma metragem praticamente idêntica à de 20 anos atrás. O apartamento não diminuiu porque o espaço ficou caro demais.
Em termos de reais, o metro quadrado médio está abaixo do pico de 2014. Os R$ 500 mil hoje, nos prédios antigos, compram iguais ou mais metros quadrados do que compravam em 2012, por exemplo.
Então, afinal, por que o mercado passou a construir imóveis tão diferentes? O Rio de Janeiro ajuda a responder.
Entre 2012 e 2023, o apartamento vendido na cidade carioca seguiu uma média estável de tamanho, entre 69 e 72 metros quadrados.
Além disso, desde 2024, os apartamentos de até 50 metros quadrados têm ganhado muito mais espaço.
Nos prédios construídos a partir de 2020, a mediana é de cerca de 44 metros quadrados. E 3 em cada 4 apartamentos vendidos têm até 50.
Mas tem um ponto crucial aqui que separa o Rio de Janeiro e São Paulo: os apartamentos de até 30 metros quadrados nunca passaram de 3,5% das vendas. Ou seja, a cidade ganhou um apartamento menor, mas nunca ganhou aquele estúdio minúsculo.
E o que encolheu não foi só a área. Segundo o cadastro de lançamentos em São Paulo nos anos 2000, praticamente cada apartamento lançado tinha uma vaga de garagem.
Hoje, entre 67 e 77% deles são lançados sem nenhuma.
Os de 3 dormitórios ou mais, que representavam cerca de 60% dos lançamentos, hoje não representam nem 15%. O que mudou foi o que se passou a construir.
Nesse sentido, surgem algumas perguntas que os dados ainda não conseguem responder completamente: Será que as pessoas estão querendo morar de outro jeito? Será que a localização passou a valer mais do que o espaço? E será que o apartamento passou a servir a outros usos além de morar?
Fonte:CNN Brasil

