Conversas da PF revelam diálogos de Hugo Motta com banqueiro sobre terreno e mercado de carbono

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) trouxeram à tona uma série de diálogos entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. As conversas, que agora são objeto de investigação, abordam temas sensíveis como uma possível “sociedade” para a compra de um terreno em João Pessoa (PB) e discussões sobre um projeto de lei crucial para o mercado de carbono no Brasil. As revelações apontam para uma proximidade entre o parlamentar e o banqueiro, levantando questionamentos sobre a natureza desses contatos em meio a processos legislativos e transações financeiras.

A apuração da PF sugere que a relação entre Motta e Vorcaro ia além de meros contatos institucionais. Os detalhes das mensagens indicam um envolvimento em negociações que podem ter implicações tanto no âmbito empresarial quanto no político, especialmente considerando o papel de Motta na Câmara dos Deputados e os interesses comerciais de Vorcaro.

Diálogos sobre Negócio Imobiliário em João Pessoa

Em 9 de março de 2024, Hugo Motta teria procurado Daniel Vorcaro para discutir a negociação de venda de um terreno situado na capital paraibana. Essa conversa ganha relevância ao ser contextualizada com um empréstimo de R$ 22 milhões, contraído no mesmo mês por Bianca Medeiros, cunhada do presidente da Câmara. O financiamento, concedido pelo Banco Master de Vorcaro, destinou-se justamente à aquisição de um terreno em João Pessoa, o que levanta suspeitas sobre a possível interligação dos eventos.

A Polícia Federal investiga se houve algum tipo de facilitação ou influência indevida nas transações, dada a posição de Motta e a simultaneidade dos acontecimentos. A natureza da “sociedade” mencionada nas mensagens é um dos pontos centrais da investigação, buscando esclarecer os termos e os beneficiários de tal arranjo.

O Projeto de Lei do Mercado de Carbono em Foco

Além das questões imobiliárias, as mensagens revelam que Motta e Vorcaro também discutiram, em 19 de novembro de 2024, o projeto de lei que visa regulamentar o mercado de carbono no Brasil. Trata-se do substitutivo do Senado ao PL 182 de 2024, uma legislação de grande impacto econômico e ambiental.

Em uma das mensagens, Motta faz menção a uma questão específica relacionada às seguradoras. A proposta em debate tratava da possibilidade de seguradoras, empresas de previdência e capitalização adquirirem “ativos ambientais” negociados no mercado de carbono para compor suas reservas técnicas e provisões. A versão aprovada pelo Senado previa um mínimo de 0,5% dos recursos para esses ativos, enquanto a Câmara retomou a redação anterior, que estabelecia um percentual de 1% ao ano. Essa alteração é significativa para o setor e para os negócios de Vorcaro.

A investigação da PF já havia apontado, em junho de 2026, que Vorcaro teria enviado propostas legislativas diretamente ao gabinete do senador Ciro Nogueira (PP-PI), indicando uma “convergência de interesses ilícitos”. Uma dessas propostas, inclusive, tratava da regulamentação do mercado de carbono, reforçando o interesse do banqueiro na matéria.

A Defesa de Hugo Motta e as Implicações Políticas

Diante das revelações, a defesa de Daniel Vorcaro foi procurada, mas não se manifestou até o momento. Já Hugo Motta, em nota, defendeu-se afirmando que mantém diálogo com representantes do empresariado e de outros setores da sociedade, e que não há qualquer ilícito nos diálogos divulgados. O parlamentar alegou que as conversas foram descontextualizadas e negou ter atuado em benefício próprio ou de terceiros.

Motta também anunciou que pretende apresentar queixa-crime contra o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), acusando-o de calúnia, difamação e divulgação de fake news com finalidade eleitoral. O contexto político é relevante, uma vez que Veneziano concorre à reeleição e tem como adversário o pai de Motta, Nabor Wanderley (Republicanos-PB).

Sobre o empréstimo de R$ 22 milhões contratado por sua cunhada com o Banco Master, Motta esclareceu que a operação ocorreu em um período anterior à divulgação das investigações sobre a instituição financeira e seu proprietário. O presidente da Câmara reiterou sua confiança nos órgãos responsáveis pelas investigações, afirmando que cabe a eles responder pelas apurações.

Você encontra mais notícias em nosso site www.sobralonline.com.br e redes sociais. Siga-nos em @SobralOnline para ficar por dentro das últimas novidades!