Ministro Alexandre Padilha classifica denúncias de propina como “farsa” e aponta armação política
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), rebateu com veemência neste sábado (10.out.2026) as alegações de Daniel Vorcaro à Polícia Federal e à Procuradoria Geral da República (PGR). Padilha classificou como “farsa” as acusações de que ele faria parte de um esquema de cobrança de propinas para facilitar investimentos de fundos de pensão no Banco Master. A declaração do ministro também aborda um áudio divulgado pela revista Veja, no qual Vorcaro afirma ter destinado dinheiro “por fora” para financiar um documentário sobre o ex-presidente Lula.
As informações foram inicialmente divulgadas pela revista e posteriormente confirmadas pelo Poder360, que teve acesso a áudios e mensagens que detalham a articulação de Vorcaro com o grupo de Padilha. Este material foi obtido pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades.
Ministro Padilha Reage a Denúncias e Acusa Armação Política
O ministro da Saúde nega categoricamente qualquer envolvimento no esquema de propinas. Ele afirmou que a situação se trata de uma armação orquestrada por Flávio Bolsonaro (PL) e seu grupo, com o objetivo de “transferir” para o governo as suspeitas que recaem sobre as próprias relações do senador com Daniel Vorcaro.
“Foi uma farsa montada ontem (9.out.2026). Montaram um teatro para o candidato da oposição, que chama Vorcaro de irmão, que pegou dinheiro de Vorcaro e que visitou Vorcaro preso”, declarou Padilha a jornalistas em Belo Horizonte. O ministro ainda chamou Flávio Bolsonaro de “mentiroso contumaz” e trouxe à tona outras suspeitas envolvendo o senador, como o caso das rachadinhas, a compra de uma mansão em dinheiro vivo e alegações de lavagem de dinheiro em uma loja de chocolates.
O Esquema de Propina Apontado por Vorcaro
A revista Veja publicou, na sexta-feira (9.out), detalhes da proposta de colaboração premiada de Vorcaro, que foi rejeitada pela PGR. No documento, o fundador do Banco Master alegava que Padilha integrava um grupo que cobrava 10% dos recursos captados pelo banco junto a fundos de pensão ligados ao governo.
Segundo o relato atribuído a Vorcaro, o então ministro da Secretaria de Relações Institucionais teria facilitado contatos com dirigentes de fundos de pensão de grande porte, como a Petros, dos funcionários da Petrobras, e o Postalis, dos Correios. A expectativa do grupo, conforme a revista, era viabilizar R$ 10 bilhões em investimentos no Banco Master, o que renderia até R$ 1 bilhão em propinas. Vorcaro também alegou ter pago R$ 500 mil como adiantamento ao grupo, mas Padilha negou veementemente as afirmações. A Veja informou que a PGR e a Polícia Federal descartaram o material apresentado pelo empresário por falta de provas.
Conexões e Articulações em Destaque
A Polícia Federal encontrou diversos registros no celular de Daniel Vorcaro, incluindo mais de 450 mensagens e 180 telefonemas, que mostram a comunicação entre o banqueiro e Júlio Cezar, um consultor de Goiânia que atuava como intermediário nos contatos com dirigentes dos fundos de pensão. As conversas indicam que a aproximação começou em fevereiro de 2024, após o cancelamento de uma reunião de Vorcaro com representantes da Petros.
O banqueiro reuniu-se com Padilha no Palácio do Planalto em 1º de março daquele ano, conforme o relato atribuído a Vorcaro. O encontro foi articulado por Hamilton Buzelin, ex-diretor do Banco Máxima, instituição que deu origem ao Master. Em um áudio de maio de 2024, Júlio Cezar afirmou que tentaria agilizar uma reunião de Vorcaro com Henrique Jäger, então presidente da Petros, e pediu informações sobre tratativas com o Banco do Brasil, prometendo colocar o banqueiro na “boca do gol” para avançar nas negociações.
Em 29 de abril de 2024, o Banco Master foi incluído na lista de instituições habilitadas a receber investimentos de fundos de pensão. Na mesma data, Júlio Cezar cobrou R$ 500 mil de Vorcaro. A reportagem indica que o banqueiro teria efetuado o pagamento e, em seguida, pressionado o intermediário para que os investimentos fossem concretizados.
Financiamento de Documentário sobre Lula em Pauta
A Veja também revelou que Vorcaro, em sua proposta de delação, afirmou ter pago R$ 30 milhões ao Instituto Lula para ajudar a financiar um filme sobre o ex-presidente. Em troca, o empresário teria buscado acesso a fundos de pensão controlados por petistas, com João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, supostamente intermediando as negociações. O filme em questão é “Lula” (2024), dirigido por Oliver Stone.
Conforme a reportagem, a PGR não deu prosseguimento à proposta de Vorcaro, alegando falta de provas, uma vez que os pagamentos ao Instituto Lula teriam sido feitos em dinheiro vivo. A Procuradoria, em nota, esclareceu que as negociações para uma colaboração de Vorcaro “foram sempre mediadas por advogados contratados pelo investigado” e que não houve “depoimento oral” ou “qualquer interlocução direta” do empresário com seus representantes.
A campanha de Lula, em nota, considerou “estarrecedor” que a revista publicasse uma reportagem com “acusações gravíssimas sem apresentar uma única prova”, classificando o texto como “irresponsável”. Vorcaro, em um áudio, menciona: “O filme do Lula eu coloquei acho que até mais, só que o do Lula foi por fora. Do Lula foi errado. Do Flávio [Bolsonaro] não foi porque ele pediu patrocínio”. Paulo Okamotto, ex-presidente do Instituto Lula, negou ter recebido dinheiro, afirmando que o documentário de Oliver Stone é uma iniciativa exclusiva do diretor, sem envolvimento do Instituto na produção ou captação de recursos.
As Reações e Outras Versões
A defesa de Augusto Lima chamou as informações da reportagem de “narrativa falsa”, baseada em “relatos mentirosos, falsos e delirantes, supostamente apresentados em uma proposta de delação recusada pelas autoridades”.
O Poder360 procurou a defesa de Vorcaro, que informou não integrar sua banca quando as propostas de delação foram apresentadas e que ele não prestou novos depoimentos à Polícia Federal sobre o conteúdo da reportagem. João Vaccari Neto também foi procurado, mas não houve resposta até a publicação desta matéria.
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