Flávio Bolsonaro incentiva engajamento arriscado nas redes sociais por votos

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um apelo direto aos seus apoiadores, pedindo que intensifiquem a mobilização nas redes sociais, mesmo diante do risco de bloqueio ou banimento de seus perfis. A declaração foi feita durante uma transmissão ao vivo, a apenas 13 dias do segundo turno das eleições, sublinhando a urgência da campanha digital.

Em um momento crucial da corrida eleitoral, o candidato à Presidência enfatizou a necessidade de superar a preocupação com as restrições das plataformas. “Eu sei que você fica preocupado às vezes de postar sua opinião aqui nas redes sociais, de ser bloqueado, de ser banido, mas a gente tem que correr esse risco”, afirmou, convocando seus eleitores a uma postura mais proativa e destemida no ambiente online.

Estratégia de mobilização digital para o segundo turno

A estratégia delineada por Flávio Bolsonaro visa uma capilaridade maior da mensagem de sua campanha. Ele solicitou que os eleitores compartilhem suas publicações e transmissões ao vivo, além de disseminar conteúdos em grupos de WhatsApp.

O senador também orientou os apoiadores a engajarem em conversas diretas com eleitores indecisos, com aqueles que votaram em outros candidatos no primeiro turno e com quem optou por não comparecer às urnas. A mensagem central é de que “não tem eleição ganha”, reforçando a importância de cada voto.

Além disso, Flávio Bolsonaro estendeu o convite a figuras públicas alinhadas à direita, incluindo artistas, influenciadores, congressistas e governadores. O objetivo é que essas personalidades utilizem suas próprias redes para pedir votos e amplificar o alcance da campanha.

Disputa judicial e o canal “Exército do Lula”

O apelo por maior engajamento digital ocorre em meio a uma intensa disputa judicial envolvendo canais de comunicação eleitoral. Um dos focos dessa controvérsia é o canal de WhatsApp “Exército do Lula”, administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que serve para mobilizar apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No domingo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou o bloqueio do canal a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Contudo, poucas horas depois, o corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, suspendeu a ordem, permitindo que as publicações fossem retomadas até a análise do caso pelo plenário do TSE.

Em um relatório divulgado nesta segunda-feira, a equipe técnica do TSE informou não ter encontrado, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, as afirmações questionadas pela campanha de Flávio Bolsonaro. A análise, contudo, não incluiu postagens de setembro nem o conteúdo integral de todos os vídeos e áudios, e os técnicos registraram que mensagens apagadas dificultaram a reconstituição do histórico do canal.

A campanha de Flávio Bolsonaro contestou o relatório, alegando possuir cópias de mensagens excluídas. Por sua vez, André Janones sustenta que o canal é utilizado exclusivamente para organizar os apoiadores de Lula.

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