Justiça concede liberdade provisória a motorista que atropelou idoso em Belo Horizonte

A Justiça concedeu liberdade provisória, sem pagamento de fiança, ao motorista Wesley Ribeiro dos Santos, detido em flagrante após atropelar um manifestante no centro de Belo Horizonte. O episódio ocorreu durante uma manifestação política em favor da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizada no último sábado.

O condutor foi localizado e preso por policiais militares a poucos metros do local da ocorrência logo após deixar a área. De acordo com informações apuradas pela CNN Brasil, a magistratura considerou a acusação formal válida para o prosseguimento do processo penal, mas pontuou a ausência de antecedentes criminais do motorista e o fato de a tentativa de homicídio não ter se consumado.

Medidas cautelares e situação da CNH

Apesar de responder ao processo em liberdade, Wesley Ribeiro dos Santos deverá cumprir determinações restritivas pelo período de 90 dias. Entre as exigências estabelecidas pelo Judiciário estão:

  • Uso obrigatório de tornozeleira eletrônica;
  • Recolhimento domiciliar no período noturno e aos finais de semana;
  • Comparecimento mensal à Central de Apoio e Acompanhamento às Penas e Medidas Alternativas (CEAPA);
  • Manutenção de distância em relação à vítima.

O magistrado optou por não determinar a cassação da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do envolvido, ponderando o argumento profissional de que o acusado atua formalmente como manobrista.

Socorro à vítima e detalhes do atropelamento

O pedestre atingido pelo veículo foi identificado como Hilário, de 67 anos. Ele recebeu atendimento inicial das equipes do Corpo de Bombeiros e de policiais que atuavam na segurança do evento, sendo transportado imediatamente para o Hospital João XXIII para cuidados médicos.

A colisão ocorreu no cruzamento entre as ruas Tupinambás e Bahia. Segundo depoimentos de pedestres e manifestantes, o condutor de um Volkswagen up! amarelo desrespeitou a sinalização semafórica, avançando em alta velocidade sobre a faixa de travessia de pedestres. A versão foi corroborada por agentes municipais, e o idoso relatou que o veículo passou sobre as suas pernas antes de seguir em fuga.

Versão apresentada pelos ocupantes do veículo

A esposa do condutor, que viajava como passageira ao lado dos filhos do casal, apresentou uma narrativa diferente às autoridades policiais. Conforme o depoimento dela, a família também apoiava a passeata e o semáforo já estaria verde para a passagem de veículos.

Ela afirmou que o automóvel teria sido alvo de garrafas e latas arremessadas por populares, motivo pelo qual solicitou que o marido acelerasse para escapar do risco iminente de agressão. A passageira alegou ainda que o motorista não percebeu que havia atingido uma pessoa e que pretendiam acionar o telefone 190 assim que chegassem em casa, intervenção que não ocorreu devido à abordagem policial imediata.

De acordo com os policiais que acompanharam a ocorrência na delegacia, o investigado permaneceu calmo e declarou arrependimento. A apuração segue em andamento pelos órgãos de polícia judiciária.

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