Júri de acusado de matar ‘Gegê’ e ‘Paca’ no Ceará é adiado por ausência de advogada
Foi adiado para dezembro o julgamento de Tiago Lourenço de Sá de Lima, um dos acusados de participar do duplo assassinato de integrantes da cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Ceará. O crime aconteceu oito anos atrás e resultou na morte de Rogério Jeremias de Simone, o ‘Gegê do Mangue’, e Fabiano Alves de Souza, o ‘Paca’.
O julgamento que definiria o futuro de Tiago estava previsto para esta quarta-feira (21), na 6ª Vara do Júri, no Fórum Clóvis Beviláqua, em Fortaleza. A sessão foi aberta às 9h30, mas foi adiada devido à ausência da defesa do réu. Procurada pela reportagem para se manifestar sobre a situação, a advogada não retornou até o fechamento desta matéria.
No Fórum, o Ministério Público do Ceará (MPCE), responsável pela acusação, comunicou que já esperava que a advogada constituída por Tiago faltasse à sessão devido aos reiterados pedidos de adiamento do júri e por um atestado médico apresentado nessa terça-feira (20), recomendando o afastamento da profissional por 90 dias.
Por entender que o caso já está há oito anos pendente de julgamento, o Colegiado da 6ª Vara marcou para os próximos dias 15, 16 e 17 de dezembro o julgamento e intimou o réu a constituir uma nova defesa, na impossibilidade da presença da atual. Caso contrário, fica decidido que ele será representado pela Defensoria Pública do Estado (DPCE).
ENTENDA O ENVOLVIMENTO DO ACUSADO NA MORTE DA DUPLA
Segundo a acusação, Tiago Lourenço foi um dos responsáveis pelos disparos que mataram ‘Gegê’ e ‘Paca’ em 15 de fevereiro de 2018, em uma reserva indígena em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza. Ele estava, até o mês de setembro, recolhido na Penitenciária I, em Avaré, São Paulo, mas foi recambiado para o sistema prisional cearense.
Um outro acusado do duplo homicídio, Felipe Ramos Morais, conhecido como “Piloto do PCC”, foi morto em Goiás, cinco anos após o crime. Ele dizia que tinha recebido uma proposta de “delação premiada” para contar às autoridades os bastidores da execução dos membros da cúpula da facção paulista, mas o MPCE negou ter feito qualquer acordo.
O QUE MOTIVOU OS ASSASSINATOS DE ‘GEGÊ’ E ‘PACA’?
Inicialmente, o duplo assassinato foi tratado como “achado de cadáveres sem identificação”. Mas, dias depois, os parentes reconheceram os corpos e a Polícia começou a obter as primeiras informações sobre a estadia dos dois no Ceará.
As vítimas embarcaram em um helicóptero pilotado por Felipe Ramos e com a presença de outros integrantes do PCC. Conforme entrevistas concedidas pelo promotor do Ministério Público de São Paulo (MPSP), Lincoln Gakiya, eles foram mortos a mando da cúpula da facção paulista.
As investigações levantaram informações de que ‘Gegê’ e ‘Paca’ poderiam ter roubado a própria organização criminosa, com o desvio de milhões de reais provenientes do tráfico de cocaína. As mortes teriam servido de lição aos demais faccionados.
CRIME GEROU ‘GUERRA INTERNA’ NO PCC
Nos dias seguintes aos assassinatos, um bilhete apreendido por agentes penais na Penitenciária II, de Presidente Venceslau, no interior paulista, revelou que o crime foi premeditado. “Ontem, fomos chamados em umas ideias, aonde nosso irmão Cabelo Duro deixou nois ciente que o Fuminho mandou matar o ‘GG’ e o ‘Paka’. Inclusive, o irmão Cabelo Duro e mais alguns irmãos são prova que os irmãos estavam roubando (sic)”, dizia o comunicado.
O duplo homicídio gerou uma guerra interna no grupo. Uma semana depois, Wagner Ferreira da Silva, o ‘Cabelo Duro’ citado no bilhete apreendido em Venceslau, e que teria participado diretamente das mortes de ‘Gegê’ e ‘Paca’, foi morto com tiros de fuzil em um ataque na porta de um hotel, na Zona Leste de São Paulo.
Ao todo, dez pessoas foram denunciadas por participação no caso e sete foram pronunciadas: Jefté Ferreira Santos, Maria Jussara da Conceição Ferreira Santos, André Luís da Costa Lopes, Erick Machado Santos, Carlenilto Pereira Maltas, Ronaldo Pereira Costa e Tiago Lourenço de Sá Lima. Conforme o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), o processo já conta com mais de nove mil páginas e foi desmembrado para dar maior celeridade ao julgamento.
Fonte:Diário do Nordeste

