Fogo volta a ameaçar Reserva Refúgio de Vida Silvestre Pedra da Andorinha
O fogo começou por volta das 22 horas, do último domingo, dia 27, quando as chamas foram percebidas por moradores próximos à Reserva Refúgio de Vida Silvestre Pedra da Andorinha, localizada no distrito de Taperuaba, em Sobral, no Norte do Estado. O vento forte ajudou a empurrar as faíscas que arderam às margens da CE-362, a cerca de 500 metros de distância da reserva. Com baldes de água e equipamentos manuais, iniciou-se um trabalho de aceiração dos espaços para evitar que as chamas se alastrassem e adentrassem o local protegido.
Ação
O trabalho se estendeu até a segunda-feira (28), pela manhã, e parte da tarde, com pausas para descanso do grupo, que manteve as chamas controladas, até a chegada do Corpo de Bombeiros Militar, acionado pela Direção de Parques, Jardins e Unidades de Conservação, da Autarquia Municipal do Meio Ambiente de Sobral (AMA), responsável pela Reserva. A equipe chegou ao local por volta das 15h30. Com os jatos de água, foi possível impedir que a REVIS Pedra da Andorinha fosse atingida.
Vivenciando um novo momento de estiagem, quando, no segundo semestre deste ano, o tempo seco e o vento forte voltam a ser mais favoráveis a novas ocorrências de incêndio, a atenção da AMA tem sido redobrada quanto à possibilidade de incêndios, pois nessa época, os agricultores costumam preparar a terra para o plantio, se utilizando da prática comum da limpeza dos terrenos por meio do fogo. Além disso, práticas como a queima de lixo, ou o descarte de pontas de cigarro acesas nas matas, podem se tornar motivo de queimadas incontroláveis. Para que isso não volte a ocorrer, a AMA havia realizado uma ação preventiva, com a abertura de aceiros no entorno da REVIS Pedra da Andorinha.

Incêndio
Há pouco mais de um ano, um incêndio de grandes proporções mudou, quase por completo, a paisagem natural da Reserva; única, deste tipo no Ceará, e umas das 25 unidades espalhadas pelo País, com seus 600 hectares de bioma caatinga, localizado a cerca de 65 quilômetros da sede de Sobral. O fogo, iniciado num trecho da CE- 362 que margeia a Reserva, se espalhou rapidamente empurrado pelo vento forte e seco daquele mês de setembro, consumindo em pouco mais de 10 dias, cerca de 40% da área total da Reserva, que segue em recuperação.
Brigada
O desbaste de aceiro feito na primeira semana deste mês, com a retirada em faixas de 3 a 5 metros, em volta de matas e outros locais nos arredores da Reserva, ajudam na descontinuidade de material vegetal combustível, evitando que o fogo de novas queimadas e incêndios volte a se propagar. De acordo com o biólogo e técnico responsável pela Unidade de Conservação, Francisco Ávila Mendes, “esse trabalho preventivo de aceiração, finalizado semana passada, contribuiu muito para que a reserva fosse pouco atingida com esse novo foco. Nesse período, nossa atenção redobra, por conta da estiagem e do material natural das matas que têm muita combustão”, revelou.

