A Imperatriz que consolidou o destino do Brasil
Ela usou seus atributos de chefe interina do governo para fazer uma reunião com o Conselho de Estado do governo, em 02 de setembro de 1822 reuniu o Conselho e assinou o Decreto da Independência
OPNIÃO – Por Manoelzinho Canafístula
No dia sete de setembro, o povo brasileiro deveria, mais uma vez, ir às ruas para manifestar o sentimento de civismo e amor à pátria. O amor que outrora perpassou sobre as marchas e eventos tradicionais, que marcaram ao longo de décadas as comemorações de uma das datas mais importantes da história política e social do Brasil. Mas antes de tudo é preciso entender o sentido da data e o que houve nos bastidores há 199 anos. Nos artigos especiais em comemoração à semana da pátria iremos entender um pouco sobre o processo da independência do Brasil, que teve início anos antes. A principal protagonista que promoveu o primeiro acontecimento histórico mais importante do país, foi a Arquiduquesa austríaca e Imperatriz do Brasil Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena que nasceu em 22 de janeiro de 1797. Era a terceira filha do Duque da Áustria, Francisco I, e da sua segunda esposa, a Princesa Maria Teresa Carolina de Nápoles e da Sicília. Ao chegar no Brasil adotou o nome de Maria Leopoldina.
A Imperatriz que consolidou o destino do Brasil, ainda jovem, Maria Leopoldina, princesa da Áustria, viu-se conduzida a um mundo distante – o Brasil. Tornou-se a primeira mulher a ter seu papel político reconhecido no país. No livro Revelações Inéditas da História do Brasil da escritora austríaca naturalizada brasileira Roselis von Sass propõe ler o Brasil de forma espiritualizada e efetua um exame detalhado dos fatos que antecederam a Independência do Brasil e culminaram com a emancipação política do país.
Pode-se dizer que a educação que a princesa recebeu na Áustria foi uma educação-modelo para a sua época. Faziam parte de seus estudos: leitura, escrita, aritmética, alemão, francês, italiano, latim, desenho, pintura e música. Leopoldina era especialmente interessada em mineralogia, botânica, ciências naturais, astronomia e física, tendo ainda talento para a música e a pintura.
Em diversos momentos na sua formação, ela teve a atenção voltada para o Brasil. Inicialmente, aos 10 anos, por conta de um professor de religião, padre jesuíta vindo de Roma, que contava sobre as perseguições aos jesuítas no Brasil, sobre o Descobrimento e a perseguição aos índios. Leopoldina sentia-se atraída por aqueles relatos e passou a conhecer a História do Brasil melhor do que qualquer pessoa na Áustria.
Junto a seu crescimento intelectual, ela passava interiormente por importantes experiências. Quando criança, pôde ver sua mãe falecida em algumas ocasiões. As suas narrativas a este respeito geravam estranheza e certa repulsa nos mais velhos.
Mas aquelas visões tiveram importante influência em sua vida, pois foi dessa forma que ela passou a compreender que as pessoas não morriam realmente, porém “se arrastavam para fora do casulo”. Assim a menina comparava a morte do corpo humano físico com a transformação vivida pelas borboletas.
Naquelas ocasiões, sua mãe aparecia sempre envolta em uma luz azul-clara, e mais tarde Leopoldina viu aquela mesma luz em momentos decisivos e fundamentais de sua vida, podendo confiar nos auxílios que surgiram.
Quando a princesa Leopoldina chegou ao Brasil, tinha 20 anos de idade. Por todo o período em que esteve no país, lutou junto a grandes personagens pela Independência. A vida difícil ao lado de Dom Pedro nunca se constituiu em empecilho para suas importantes realizações. Leopoldina segui sempre em frente, guiada por grandes objetivos.
Roselis von Sass, retrata no livro que foi assim que aconteceu de Leopoldina ficar logo conhecendo pessoalmente muitas personalidades, aumentando dia a dia as suas responsabilidades. Desde o começo teve, assim, de assumir uma posição excepcional, dado que na época não era costume mulheres tratarem o que quer que fosse com homens. Pelo menos no Brasil e em Portugal.
Uma das personagens mais importantes de nossa história, Leopoldina trouxe, na sua comitiva, cientistas e artistas; no seu espírito, esperança e missão. O grande poder de decisão e a perseverança da Imperatriz influenciaram na formação de novos caminhos para o país, culminando com o famoso grito da Independência.
A Princesa recebeu notícias que Portugal estava preparando ação contra o Brasil e, sem ter tempo para aguardar o retorno de Dom Pedro I, foi aconselhada por José Bonifácio, ela usou seus atributos de chefe interina do governo para fazer uma reunião com o Conselho de Estado do governo, em 02 de setembro de 1822 reuniu o Conselho e assinou o Decreto da Independência, declarando o Brasil separado de Portugal, e tornou-se a primeira mulher a governar o Brasil.
Após a assinatura do decreto, ela enviou uma carta a Dom Pedro I para que ele proclamasse a Independência do Brasil. O papel chegou a ele no dia 7 de setembro de 1822, quando o Imperador proclamou o Brasil livre de Portugal, às margens do Rio Ipiranga, atual zona sul da cidade em São Paulo.
Além de chefiar o conselho de Estado que aconselhou Dom Pedro I a proclamar a independência, também tomou diversas resoluções importantes, como a contratação de militares estrangeiros para chefiar o Exército brasileiro contra os militares portugueses e contra uma futura invasão de Portugal durante a Guerra da Independência.
Durante a vida, Leopoldina procurou formas de acabar com o trabalho escravo. Em uma tentativa de mudar o tipo de mão de obra no Brasil, a imperatriz incentivou a imigração europeia para o país. Primeiro vieram os suíços, se fixando no Rio de Janeiro e fundando a cidade de Nova Friburgo. Depois, a fim de povoar o sul brasileiro, a imperatriz incentivou a vinda dos alemães.
Dona Leopoldina também contribuiu para a formação da cultura e da educação científica brasileira. Além da Missão Científica Austríaca que trouxe consigo em 1817, também trouxe para o Brasil sua biblioteca particular, dando início a uma biblioteca nas salas do Palácio em que viveu com Dom Pedro I. A imperatriz também caçava pequenos mamíferos e coletava minerais, ajudando e incentivando estudos sobre a História Natural do Brasil. Na Áustria, os estudos, retratos e coletas feitos pela Missão Científica fundou no país de origem da imperatriz o Museu Brasileiro, despertando interesse dos europeus em conhecer as belezas naturais do “Novo Mundo”.
Outro legado de Leopoldina é a bandeira nacional. Embora a história conhecida seja a de que o amarelo representa o ouro e o verde, as florestas brasileiras, as cores do maior símbolo nacional representam as duas Casas que deram origem ao Brasil independente: o verde representa a Casa de Bragança, de D. Pedro I, e o amarelo representa a Casa de Habsburgo, de Leopoldina.
Maria Leopoldina foi coroada imperatriz em 01 de dezembro de 1822, na cerimônia de coroação e sagração de Dom Pedro I como Imperador do Brasil. São seus filhos as Princesas D. Maria, futura rainha de Portugal, D. Januária, D. Paula Mariana e D. Francisca Carolina; os Príncipes Miguel de Bragança, João Carlos, bem como o Príncipe D. Pedro de Alcântara, que mais tarde subiu ao trono do Brasil com o nome de D. Pedro II.
As sucessivas gestações e o desgosto causado pela infidelidade e alcoolismo do Imperador Dom Pedro I, teriam agravado a saúde da Imperatriz Leopoldina. Ela morreu por ocasião do seu sétimo parto em 11 de dezembro de 1826, aos 29 anos de idade, o que causou uma enorme comoção popular e seu enterro foi seguido por milhares de pessoas. Na ocasião de sua morte, o imperador se encontrava no Rio Grande do Sul, inspecionando tropas na Guerra das Províncias Unidas do Rio da Prata. Na próxima publicação conheça os bastidores da vida do Imperador Dom Pedro I.

