A batalha de um inspetor da Polícia Civil do Ceará que venceu a Covid-19

“Foi terrível, por muitas vezes eu sonhava com o meu velório. Não tenho palavras para descrever o que eu senti. Mas eu venci”. Essas são as palavras que descrevem os sentimentos de medo e de vitória relatados por Francisco Talis Silva, inspetor da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). Ele passou 29 dias internado no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e conseguiu vencer a Covid-19. A história do profissional da segurança pública do Estado do Ceará soma-se a outras milhares de pessoas que buscam, na fé, a força para vencer o coronavírus.

A doença nos tira o fôlego, nos coloca para longe daqueles que amamos e em alguns casos não nos dá tempo para o último adeus. Em meio às famílias enlutadas, os números compilados mostram a guerra vencida de quase 13 milhões de vidas. Nelas, são registradas novas páginas de esperança e de superação. Entre essas vidas está a de Talis Silva, de 40 anos. O profissional de segurança entra para a estatística daqueles que conseguiram vencer um dos momentos mais difíceis de sua vida.

Talis Silva precisou ser internado, ainda com sintomas leves, no dia 28 de março deste ano. Após quatro dias, o inspetor foi transferido para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde imediatamente foi intubado. Desde então, sua caminhada rumo à recuperação precisou de novos personagens, entre eles, os enfermeiros, os médicos e os fisioterapeutas lotados no HGF. “Quando eu dei entrada na UTI, eu não fiquei totalmente sedado, então, eu conseguia ouvir muita coisa. Os ‘anjos’ e os profissionais que ficavam comigo na Unidade de Terapia Intensiva me incentivaram, falavam comigo. Eu não conseguia abrir meus olhos, eu só chorava”, relata Talis que permaneceu na UTI por mais de 17 dias.

Durante esse período, mesmo estando sem os familiares na UTI, Talis teve a ajuda dos profissionais que deixaram que ele tivesse uma única visita da sua esposa. A humanização dos profissionais e a atenção para cada paciente foi o diferencial para a recuperação do policial civil que precisou ouvir da sua esposa que jamais desistiria dele e que ele precisava ser ainda mais forte. “Eu me lembro quando recebi a visita da minha esposa, eu lembro de ela dizer que não ia desistir de mim, que ia me esperar em casa. Isso foi o suficiente para que eu tivesse a dose certa para me recuperar”, revela.

Uma dose de amor

Dos 29 dias de tratamento, Talis relata com emoção a dedicação dada por sua família e principalmente de sua companheira no período de tratamento. Foram quatro dias antes da intubação, 17 dias de UTI e oito de enfermaria. “Minha esposa esteve comigo em todos os momentos, e quando eu recebi alta da UTI, e fui para enfermaria, minha esposa ficou comigo. Ela não dormia, ficava descansando em uma cadeira, porque não tem lugar pro acompanhante dormir. Foram oito dias que ela não revezou com ninguém. Na fisioterapia, quando eu comecei a verbalizar algumas coisas, a primeira frase que eu disse foi: Daniele, eu te amo. Era o mínimo que eu poderia dizer para minha esposa, ele é uma guerreira”, declara.

Ainda na unidade hospitalar, no dia em que Talis recebeu alta da UTI, era comemorado também o dia do seu aniversário de 40 anos. Com direito a homenagens do time escolhido pelo coração, o Ceará, o inspetor recebeu a visita da filha e da esposa, além da presença dos profissionais do hospital que foram fundamentais para sua recuperação. Hoje, já em casa e com os cuidados da família, o servidor agradece aos amigos de carreira por todas as orações destinadas a ele para sua recuperação e fala que foi com a ajuda de todos que ele conseguiu chegar até aqui. Por mais difícil que tenha sido, Talis representa a força de milhares de cearenses que lutaram, não perderam a fé e venceram a Covid- 19.

Deixe uma resposta