A lua pode influenciar no vinho? Algumas pessoas dizem que sim

A lua e o vinho

A lua, assim como outros corpos celestes, tem seus mistérios. Algumas pessoas dizem que a lua cheia influencia o sono, outros têm receio que “superluas” as deixe fora de seu ponto de equilíbrio e, para alguns eleitos, a lua cheia teria o poder de nos transformar em lobos durante a noite…

Mas, certamente, existem outras pessoas que acreditem que a lua possui um poder especial e preciso: a habilidade de influenciar no vinho. Tudo isso está relacionado ao calendário biodinâmico, que inicialmente era utilizado para sugestionar no desenvolvimento das plantações, dividido em dias de frutas, dias de flores, de folhas e de raízes. Pessoas que seguem esse calendário acreditam no conceito da biodinâmica e há quem afirme que o vinho tem melhor sabor em dias de frutas, quando a lua está passando pelos signos de Sagitário, Leão e Áries (na astrologia).

Em dias de raízes, quando a lua está em Virgem, Capricórnio e Touro, o seu vinho Sauvignon Blanc, que você degusta às 18h, teria por suposto um sabor hipoteticamente aparentemente mais amargo e, em dias de flores, seu Merlot em uma segunda-feira será mais prazeroso do que em dias de folhas.

Deu para entender o conceito?
Neste momento o leitor deve estar pensando como é que a Terra pode “saber” onde está a lua, em que momento do calendário biodinâmico está posicionada e como saber se esta noite é boa para abrir uma garrafa de rosé que está esperando na geladeira? Baseado em 50 anos de pesquisas da expert em biodinâmica, a alemã Maria Thun, falecida em 2012, o aplicativo The When Wine Tastes informa quando o vinho terá supostamente um sabor melhor, com base no calendário biodinâmico. O aplicativo é simples e explica qual é a teoria por trás da criação do conceito e do calendário, bem como orienta quando você deve degustar quais tipos de vinhos.

Embora alguns pesquisadores australianos não aprovem a teoria ao afirmar que os ciclos lunares não têm absolutamente nenhuma influência no sabor do vinho, o aplicativo fala que “os críticos de vinhos das cadeias de supermercados finos na Inglaterra vêm utilizando o calendário para sugerir os vinhos a serem degustados” e vendidos em certos dias da semana. Serviço ao consumidor ou um golpe de marketing?

As fazendas biodinâmicas estão crescendo em toda a Inglaterra, consideradas organismos parte do planeta e do cosmos. Esse tema já vem sendo discutido desde que Rudolph Steiner iniciou suas teorias, em 1924. A ideia da influência da lua na produção da uva até a vinificação, que a transforma em vinho, vem intrigando muitos degustadores da bebida, já que muitas vezes o mesmo vinho pode apresentar grandes variações no sabor.

Então, alguns apreciadores de vinhos biodinâmicos seguiram o calendário desenvolvido por Maria Thun e compararam a degustação do mesmo vinho em dias de folhas (considerados não bons) e em dias de flores (considerados os melhores). Resultado: existe diferença. Os vinhos tinham melhorado nos dias de flores. No entanto, os vinhos considerados melhores eram ótimos em ambos os dias. O dia de folhas ressaltava a estrutura do vinho, seu terroir e as qualidades mais terrosas do vinho. O dia de flores ressaltava os aspectos florais e frutados, qualidades que seduziram os degustadores.

Assim, é fácil entender por que alguns supermercados começaram a conduzir degustações em dias de flores. Porém, é bastante claro que degustar um vinho no dia correto faz com que ele cresça no paladar, mas certamente não vai minimizar seus defeitos.

O fato é que há muito misticismo, credulidade e doses boas de espiritualidade envolvidos no tema, mas alguns dos maiores produtores de vinhos biodinâmicos (Borgonha, Leroy, Lafond e Leflaive, Huet no Loire, Zind-Humbrecht na Alsácia e Chapoutier no Rhône, todos franceses), sinalizam que os degustadores de vinhos devem, a princípio, manter a “mente aberta” para o tema.
Esses produtores são responsáveis por alguns dos melhores vinhos no mundo e seria ignorância deixar de lado que seus métodos de produção são simplesmente baseados nos ciclos da lua. É ela quem supostamente comanda a sua viticultura, desde quando plantar, podar e colher as uvas, e agora, pelo que se supõe, até mesmo quando beber o vinho.

Outros fatores para degustar um vinho se sobrepõem, obviamente, ao poder da lua: o nosso estado emocional naquele dia, onde estamos, com quem estamos desfrutando do vinho e o que se está comendo, por exemplo. Tudo isso são elementos que acrescentam variáveis e complexidade ao assunto.

Mas a lua não influencia somente na escolha de produção do vinho. No interessante site Demeter, quem gosta do assunto pode pesquisar todo tipo de produção biodinâmica, desde vinagre balsâmico até carnes diversas em toda a Itália.

No Brasil, a Associação Biodinâmica (ligada ao Demeter) oferece cursos interessantes em vários setores de produção. A primeira colheita brasileira de vinho biodinâmico foi realizada em 2012 em uma vinícola em Santa Catarina. A tendência de consumo dos vinhos naturais no país começa a crescer de verdade, principalmente em São Paulo. Em recente artigo publicado por um jornal paulista, alguns bares foram elencados como referências, para quem tem a mente aberta para o assunto:

Esther Rooftop – Rua Basílio da Gama, 29, República – (11) 3256-1009
Enoteca Saint VinSaint – Rua Prof. Atílio Innocenti, 811, Vila Nova Conceição – (11) 3846-0384
Jardim dos Vinhos Vivos – Rua Harmonia, 239, Vila Madalena – (11) 99133-4000
Maní – Rua Joaquim Antunes, 210, Pinheiros – (11) 3085-4148
Sede 261 – Rua Benjamim Egas, 261, Pinheiros – (11) 3819-0618

Vale tentar a experiência? Vale!

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