Advogado de MC Poze do Rodo denuncia racismo e o classifica como ‘suspeito eterno’

Em uma declaração que repercute no cenário jurídico e musical, o advogado Fernando Henrique Cardoso Neves, representante de Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, conhecido como MC Poze do Rodo, afirmou que seu cliente é um “suspeito eterno” no Brasil. A defesa aponta o racismo como a principal motivação para o que descreve como uma “cisma” das forças de segurança pública em associar o funkeiro ao crime organizado, um contraste marcante com o reconhecimento que o artista recebe na Europa.

A fala do advogado surge no contexto da recente Operação Narco Fluxo da Polícia Federal, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro. Poze do Rodo chegou a ser detido, mas foi liberado em 14 de maio após a concessão de um habeas corpus pelo Juízo da 5ª Vara Federal de Santos, no litoral de São Paulo. A defesa argumenta que a insistência em incriminar o artista reflete uma “desinformação policial” e uma perseguição injustificada.

A denúncia de racismo e o status de ‘suspeito eterno’ para Poze do Rodo

Fernando Henrique Cardoso Neves, em entrevista exclusiva, foi enfático ao atribuir ao racismo a persistente associação de MC Poze do Rodo com o crime organizado. Para o advogado, a “cisma” das forças de segurança pública com o funkeiro, que é premiado internacionalmente, revela um padrão discriminatório. Ele classifica como “desinformação policial” a tentativa de ligar o artista a atividades ilícitas, especialmente na ausência de provas concretas.

A defesa ressalta que a imagem pública de Poze do Rodo parece ser um fator determinante nas investigações, mais do que evidências factuais. Este cenário, segundo Neves, cria um ambiente onde o artista é constantemente visto como culpado, independentemente dos fatos apurados, perpetuando a ideia de um “suspeito eterno”.

Operação Narco Fluxo: investigações e conexões financeiras

A Operação Narco Fluxo, conduzida pela Polícia Federal, tem como foco um complexo esquema de lavagem de dinheiro. No âmbito dessa investigação, MC Poze do Rodo foi um dos alvos, juntamente com Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, apontado como líder do esquema. A representação da PF, que levou à operação, não indicou, contudo, qualquer transferência financeira direta entre Poze e Ryan.

A investigação aponta que a produtora de Ryan transferiu R$ 300 mil para Ellyton Rodrigues Feitosa, empresário de Poze e sócio do artista na gravadora EMPOZE. A defesa, no entanto, sustenta que essa movimentação financeira se justifica por serviços de leasing e não configura prova de envolvimento criminal. A PF, por sua vez, descreve Ellyton como o gestor administrativo do ecossistema financeiro de Poze e a gravadora EMPOZE como uma “operadora supostamente atuante conectando recursos bilionários das contas e malhas do CV (MC Poze) em possíveis cruzamentos paulistas vinculados à CASAL Imports”, outra empresa sob investigação.

Histórico de acusações e absolvições anteriores

A trajetória de MC Poze do Rodo tem sido marcada por uma vigilância constante por parte das autoridades. Além da Operação Narco Fluxo, o funkeiro já esteve na mira da Polícia Civil do Rio de Janeiro por suposta associação com o Comando Vermelho (CV). Contudo, essa ligação já foi descartada pela Justiça fluminense em ocasiões anteriores.

Um exemplo notável ocorreu em agosto de 2024, quando Poze foi absolvido da acusação de associação ao tráfico, apologia e corrupção de menores por falta de provas. A denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) surgiu após uma apresentação do artista em uma comunidade dominada pela facção. Na época, o Juízo considerou que o show, por si só, não era prova sólida de integração ao crime organizado. Para o advogado Neves, a insistência da PF em citar a facção ao mencionar o nome de Poze, como na representação da Operação Narco Fluxo, é mais um exemplo da “desinformação policial”.

Habeas corpus concedido e medidas cautelares

A defesa de MC Poze do Rodo argumentou veementemente contra a prisão do artista, destacando que termos como “supostamente” e “possíveis” na representação da PF configuram uma “ilação da ilação da ilação”, ou seja, deduções baseadas em indícios frágeis. Para o advogado Fernando Henrique Cardoso Neves, isso não seria suficiente para justificar a decretação de prisão, que ele considerou desproporcional, seletiva e baseada na imagem pública do artista, e não em provas concretas.

A Justiça Federal acatou o pedido da defesa e concedeu o habeas corpus a Poze, substituindo a prisão por medidas cautelares. Entre as determinações judiciais estão:

  • Proibição de deixar o país;
  • Entrega do passaporte;
  • Comparecimento mensal à Justiça;
  • Proibição de contato com outros investigados.

O advogado Neves enfatizou que seu cliente estaria disposto a cumprir “todas as cautelares e até as que não existem” para evitar a prisão, pois, em sua visão, não havia “nenhum motivo, nenhum fundamento para a investigação” que justificasse a privação de liberdade. As medidas, segundo ele, garantem que a polícia possa prosseguir com a investigação sem a necessidade de manter o artista detido. Para mais informações sobre o sistema judicial brasileiro, visite o site da Justiça Federal.

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