Alckmin minimiza definir facções como terroristas: “Não resolve o problema”
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), disse nesta quarta-feira (14) que “não tem problema” classificar facções criminosas como terrorista, ressaltando, porém, que a medida “não resolve problemas”. Ele defendeu a intensificação de investigações e prisão de integrantes de facções como principal estratégia no combate ao crime organizado.
“Não tem nenhum problema ser colocada como organização terrorista, acontece que isso só não vai resolver o problema. O que precisa é investigar o crime organizado e por em segurança máxima. A impunidade estimula o crime, é preciso prender, prender, prender, que tira o cidadão da rua e desestimula. O que tem que prender mesmo é o crime organizado”, disse em entrevista à Rádio Tupi.
O vice-presidente descartou a possibilidade de operações americanas para atuação direta contra essas organizações, como CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital), em solo brasileiro e defendeu a cooperação com países vizinhos para promover maior segurança no continente.
“Não acredito [na possibilidade de operações americanas no Brasil contra o crime organizado].O que precisamos fazer é integrar forças, fazer um entendimento com os países vizinhos para fazer uma força-tarfa de todos. A cocaína, por exemplo, não é produzida aqui, vem de fora, é preciso investigar isso também”, defendeu.
Na avaliação dele, a PEC (proposta de emenda à Constituição) da segurança pública, aprovada nesta quarta-feira pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, é um avanço significativo no combate ao crime organizado.
Para Alckmin, o aumento do protagonismo dos municípios na segurança pública e a criação de um ministério no âmbito federal vão trazer melhorias à segurança pública.
“A PEC aprovada hoje na CCJ muda a organização da segurança pública no país. O projeto aumenta o combate e eleva as punições para membros do crime organizado”, afirmou.
Redução da Maioridade Penal
Questionado sobre a possibilidade de reduzir a maioridade penal para 16 anos, um projeto defendido pelo candidato à presidência pelo PL Flávio Bolsonaro e apoiado pela ala da direita, o vice-presidente se posicionou favorável à mudança em casos de crimes graves, como homicídio e latrocínio.
Para Alckmin, essa mudança apenas não é o bastante para melhorar a condição da segurança pública no país. O vice-presidente defendeu também o investimento em educação e no combate ao crime.
“Para crimes graves, eu sou totalmente favorável [da redução]. Mas nós precisamos trabalhar para melhorar a educação da população, dar oportunidade ao jovem e agir com rigor para quem descumpre a lei”, afirmou.
Fonte:CNN Brasil

