A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Ceará passou a integrar a estratégia eleitoral de aliados do candidato do PSDB ao Governo do Estado, Ciro Gomes. Embora a candidatura tucana tenha como principal sustentação partidária o PL e outros partidos da oposição ao governo federal, interlocutores de Ciro buscam ampliar o diálogo com o eleitorado que aprova a gestão de Lula.
A dobradinha começou a ser construída e, nesse contexto, o ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PSB), lançou nas redes sociais o slogan “Lula Lá, Ciro Cá”, numa tentativa de defender o voto casado: Lula para a Presidência da República e Ciro Gomes para o Governo do Estado.
Ao justificar a sua decisão, Ivo argumenta que não vota por conveniência, mas sim por convicção. ‘’Nunca votei por conveniência. Sempre fui livre para votar em quem eu considero o melhor. Nessas eleições, entendo que o melhor pro Ceará é Ciro e o melhor para o Brasil é Lula’’, escreveu Ivo, que cuidará, também, de montar comitês para divulgar a chapa Ciro-Lula.
ESTRATÉGIA DE 2002
A expressão Lula Lá, Ciro Cá é inspirada na estratégia eleitoral utilizada em 2002, quando o PT lançou o então vereador José Airton Cirilo ao Governo do Estado. Naquele pleito, o slogan buscava estimular o eleitor a votar em Lula para presidente e em José Airton para governador. O slogan era ‘Lula lá, Zé Airton cá’’.
A disputa foi uma das mais equilibradas da história política do Ceará e chegou ao segundo turno. O resultado final da disputa apontou Lúcio Alcântara eleito governador com 1.765.726 votos (50,04%), enquanto José Airton Cirilo (PT) recebeu 1.762.679 votos (49,96%), uma diferença de apenas 3.047 votos.
COINCIDÊNCIA ENTRE 2002 E 2026
Os fatos políticos entre 2002 e 2026 não se limitam ao resgate da estratégia de unir nomes que são adversários nos cenários estadual e nacional, mas tem, também, outra coincidência: em 2002, Lúcio teve a candidatura bancada pelo então governador Tasso Jereissati. Em 2026, partiu, também, de Tasso a articulação para viabilizar o nome de Ciro ao Governo do Estado.
Lançado pelo PSDB, Ciro construiu uma aliança com o PL e com a Federação União Progressista, mas se afastou da base bolsonarista para não se vincular ao candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, que tem baixa popularidade no Ceará.
Fonte: Ceará Agora

