Animais feridos em enchentes do RS vão ser tratados com curativos de pele de tilápia

Técnica desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará já foi utilizada outras vezes para tratar animais feridos e é tem sido aplicada em procedimentos médicos.

Animais feridos durante as enchentes no Rio Grande do Sul serão tratados com curativos biológicos feitos a partir de pele de tilápia, uma técnica desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) desde 2015. Estes curativos podem permanecer por mais tempo cobrindo a ferida, o que diminui a quantidade de trocas de curativos, a perda de líquidos do animal e potencializa a cicatrização.

Neste primeiro momento, a maior parte dos animais tratados com a pele de tilápia serão cavalos com ferimentos provocados pela submersão na água. Essas feridas de submersão se desenvolvem pelo excesso de tempo em que os animais ficaram com as patas debaixo d’água.

A universidade já enviou, no dia 3 de junho, um primeiro lote de 300 curativos biológicos para Santa Catarina, de onde o material seguiu para o município de Nova Santa Rita, na região metropolitana de Porto Alegre. Outro lote de 300 curativos está sendo preparado pela UFC para ser enviado em até 20 dias.

Antes de chegar ao Rio Grande do Sul, o material da pele de tilápia passa por um processo de radioesterilização no Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (IPEN), em São Paulo, o que aumenta a durabilidade das peles em até três anos e permitindo melhor conservação em temperatura ambiente.

O curativo biológico feito de pele de tilápia possui alta concentração de colágeno, o que é favorável para o processo de cicatrização. Ele pode permanecer na pele do animal por 10 a 12 dias, o que evita a troca diária de curativo e a perda de líquidos, protegendo também contra infecções.

O processo de beneficiamento da pele da tilápia para aplicações médicas tem sido estudado na UFC desde 2015. Inicialmente, o curativo biológico era usado sobretudo para o tratamento de queimaduras, e em 2020 a técnica foi aplicada nos animais queimados durante os incêndios no Pantanal.

Usos médicos e veterinários da pele de tilápia têm sido explorados pela UFC desde 2015 — Foto: Viktor Braga/UFC

Atualmente, a técnica cearense já foi exportada para outros estados brasileiros e inclusive para outros países. Em 2018, pesquisadores da Califórnia, nos Estados Unidos, usaram a pele tilápia para tratar ursos e pumas queimados.

A técnica também foi aplicada com êxito em cirurgias ginecológicas, em pacientes com câncer pélvico e no procedimento cirúrgico de reconstrução vaginal em mulheres com síndrome de Rokitansky.

Além disso, de conforme a UFC, a membrana de peixe já foi utilizada em no tratamento de úlceras, em cirurgias de hérnia abdominal, na cardiologia, na nefrologia, na otorrinolaringologia, em endoscopias, entre outros.

Em outubro de 2023, o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) outorgou a patente da técnica para a universidade.

 

Fonte: G1 CE

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