Ao contrário de Bolsonaro, líderes mundiais tomam vacina contra COVID-19

Enquanto o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tem sustentado em seu discurso que não deve tomar qualquer vacina contra a COVID-19, alguns líderes mundiais e nacionais incentivam a imunização e já receberam as primeiras doses do medicamento. Entre conservadores e liberais, a vacina tende a ser um “elo” entre os pensamentos políticos.

O primeiro a entrar na “onda” da vacina foi o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, de 61 anos. Sentado em frente a uma tela na qual se lia a mensagem “segura e eficaz”, o republicano tomou a vacina da Pfizer/BioNTech contra o coronavírus no último dia 18. Além dele, sua esposa, Karen Pence, foi imunizada.

O presidente eleito, Joe Biden (Democrata), de 78 anos, e a vice-presidente eleita, Kamala Harris (Democrata), de 56, também vacinaram. Os dois até mesmo televisionaram o momento da vacinação para tentar incentivar a população.
Alguns ex-presidentes americanos confirmaram que serão vacinados. Barack Obama (Democrata), de 59 anos, George W. Bush (Republicano), e Bill Clinton (Democrata), ambos de 74, se ofereceram e também devem tomar a vacina em frente às câmeras.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de 71, foi vacinado no último sábado com o medicamento da Pfizer/BioNtech. “Pedi para ser vacinado primeiro, junto do ministro da Saúde, Yuli Edelstein, para dar o exemplo e encorajar a população a se vacinar. Eu acredito nesta vacina”, afirmou.
A rainha da Inglaterra, Elizabeth II, de 94, e o príncipe Phillip, que vai completar 100 anos, também serão vacinados publicamente para incentivar a vacinação na Inglaterra. O país foi o primeiro a começar a vacinação no mundo, em 8 de dezembro. A imunização só ainda não aconteceu porque os membros da realeza não querem furar a fila, embora estejam, pela idade, no grupo de prioritários.
Em julho, enquanto ainda se pensava em um programa de vacinação, o primeiro ministro da Inglaterra, Boris Johnson, de 56 anos, rotulou as pessoas que se opõem à vacinação de “loucos”. “Existem todos esses antivacinas agora. Eles são loucos, são loucos”, disparou o premiê britânico, do partido Conservador.
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, de 61, é de centro-esquerda e também confirmou que vai receber o imunizante. “Para acabar com todas as dúvidas, assim que a vacina estiver aqui, o primeiro a se vacinar serei eu”, disse.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, de 68, garantiu que será vacinado com a Sputnik, a vacina produzida pelo país russo. Segundo ele, “sem falta, o mais rapidamente possível”. “Sigo as recomendações dos nossos especialistas, e é por isso que até o momento não fui vacinado, mas farei sem falta quando possível”, afirmou.

No Brasil

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), convidou todos os ex-presidentes desde a redemocratização, em 1988, para tomar a vacina CoronaVac, produzida pelo Instituto Butantan com o laboratório chinês Sinovac.

Foram convidados José Sarney (MDB), de 90, Fernando Collor de Mello (PROS), de 71, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), de 89, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de 75, Dilma Rousseff (PT), de 73, e Michel Temer (MDB), de 80 anos.

Com exceção da ex-presidente Dilma, todos os políticos afirmaram que vão tomar a vacina.

Bolsonaro e a vacinação

Preferindo indicar remédios sem eficácia comprovada contra o vírus, como a hidroxicloroquina, o vermifugo Annita, e o antibiótico Azitromicina, Bolsonaro se recusa a tomar qualquer vacina.

Em visita a Bahia, no último dia 15, o presidente ironizou ao ser questionado sobre o assunto. “Imbecil, eu já contraí o vírus. Estou imune”, afirmou.

Em entrevista à Tv Bandeirantes, Bolsonaro também reafirmou que não tem pretensão de tomar a imunização.“Eu não posso falar como cidadão uma coisa e como presidente, outra. Mas como sempre eu nunca fugi da verdade, eu te digo: eu não vou tomar vacina. E ponto final. Se alguém acha que a minha vida está em risco, o problema é meu. E ponto final.”
Em entrevista coletiva, o presidente também chegou a citar a vacina produzida pela farmacêutica norte-americana Pfizer, em parceria com a alemã BioNTech e falou sobre os efeitos colaterais. “Se você virar um jacaré, é problema de você”, disse na época.

Na tarde de ontem, segunda-feira (28/12), Bolsonaro cobrou os fabricantes das vacinas contra COVID-19. De acordo com ele, os laboratórios precisam pedir o uso emergencial ou registro na Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa), porque o Brasil é um “mercado consumidor enorme”.

Bolsonaro também afirmou que a responsabilidade de disponibilizar a vacina é do “vendedor”, e não dele.

Informações Estado de Minas

 

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