Após Prefeitura demolir Instituto Cai Cai Balão, Evandro diz que busca novo terreno para sede

A estrutura foi retirada da orla do Pirambu durante uma ação da Agefis

Após uma ação de fiscalização municipal demolir a sede do Instituto Cai Cai Balão, na orla do Pirambu, o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), afirmou, nesta quarta-feira (27), que a Administração acompanha o caso e está em busca de um novo terreno onde o grupo possa exercer suas atividades.

A declaração do gestor acontece em meio à repercussão da remoção da estrutura da instituição, responsável pelo mantenimento da tradicional Quadrilha Junina Infantil Cai Cai Balão e pela promoção de ações culturais, em especial, com crianças da comunidade.

Construída pelos próprios organizadores em maio, a sede foi demolida nessa terça-feira (26), junto a outras barracas, pela Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) durante uma operação contra estruturas irregulares instaladas na orla e no calçadão do Pirambu.

Segundo Evandro, a iniciativa faz parte de um plano para reordenar a faixa litorânea da Capital, entre a Vila do Mar e a Sabiaguaba, e segue recomendações de órgãos legais.

“Estamos articulando alternativas para as pessoas e entidades afetadas neste primeiro momento. […] No caso do instituto Cai, Cai, Balão, já determinei um grupo de trabalho para acompanhar o caso e a busca por terreno que seja cedido para as atividades do grupo”, detalhou em nota publicada nas redes sociais nesta manhã.

A Secretaria Municipal da Cultura de Fortaleza (Secultfor) está entre as instituições que integram o grupo, conforme publicação da titular da Pasta, Helena Barbosa. Em nota enviada nesta quarta ao Diário do Nordeste, a Secultfor informou que a derrubada da estrutura cumpriu “recomendação do Ministério Público e Superintendência do Patrimônio da União para a remoção de estruturas irregulares na faixa marinha”.

A pasta ainda “reconhece a história do Instituto, o seu papel social e sua intensa contribuição à cultura popular e tradição junina, por isso, soma forças na mediação de soluções, integrando o grupo de trabalho criado, sob orientação do prefeito Evandro Leitão, para que as atividades do grupo possam ser continuadas em novo espaço. O primeiro encontro com o presidente do Instituto Cai Cai Balão, Fábio Lessa, está agendado para esta quinta-feira (28)”.

Ao Diário do Nordeste, na terça, a Agefis disse que informou previamente aos responsáveis pelos locais sobre a operação, em reuniões nas quais não teriam havido resistência. No entanto, o gestor do Instituto Cai Cai Balão, Fábio Lessa, afirma que a instituição não foi avisada com antecedência.

“Não fomos notificados. Não fomos avisados. Não fomos ouvidos para dialogar e muito menos tiveram empatia com as crianças que estavam lá na hora”, relata.

Surpreendidos, os membros da instituição tiveram que retirar, às pressas​, figurinos e materiais armazenados na sede, enquanto a estrutura era destruída pelos agentes.

“O espaço era cuidado por nós. Não somente a sede, mas toda a área da praia, com atividades socioculturais, eventos de cunho religioso, respeitando toda a diversidade, por exemplo, festa de Iemanjá, cultos evangélicos e até missas campais.”

FONTE: DIÁRIO DO NORDESTE