Aquecimento global deve superar 1,5ºC nos próximos anos; entenda riscos

A Terra deve romper o limite crítico de 1,5ºC de aquecimento global já nos próximos anos. Segundo as projeções de um novo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), mesmo no cenário mais otimista de redução de emissões, a temperatura média do planeta deve atingir o patamar de 1,8ºC acima dos níveis pré-industriais antes que as temperaturas globais comecem a registrar queda.

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O documento, intitulado “Limiting Overshoot”, indica que ações internacionais para mitigar gases de efeito estufa não foram rápidas o suficiente para impedir que a barreira de segurança climática, estabelecida pelo Acordo de Paris, seja rompida em curto prazo.

Não há vida segura na Terra
De acordo com o relatório, não existem cenários benignos ou seguros para a vida na Terra com o aquecimento acima de 1,5ºC. A superação da marca a cada fração de grau deve trazer impactos significativos sobre as pessoas, a economia e os ecossistemas do planeta.

O estudo alerta para o aumento expressivo do risco de cruzar pontos de não retorno, os chamados “tipping points” no sistema climático global, como a desestabilização das placas de gelo da Antártica Ocidental e da Groenlândia, a desaceleração da Circulação Meridional do Atlântico e a degradação em grande escala da floresta Amazônica.

Entre os riscos, o relatório aponta que as geleiras globais possam perder mais de um quarto de sua massa até 2100 em cenários de aquecimento de até 3ºC. O fator elevaria o nível do mar em 9 a 12,5 centímetros e ameaçaria permanentemente o suprimento de água doce em diversas partes do mundo.

Além disso, Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e metrópoles litorâneas de baixa altitude enfrentam riscos de inundação, contaminação salina de reservatórios agrícolas e até submersão parcial ou total dos territórios por conta do aumento do nível do mar.

Outro risco é de que, na falta de medidas de adaptação eficazes, as projeções apontam uma queda de até 14% na produção global de alimentos até 2050.

A elevação das temperaturas deve provocar também ondas de calor mais frequentes e severas, o aumento de doenças relacionadas à desnutrição e uma maior probabilidade de disseminação de patógenos por novos vetores de transmissão.

Já o aquecimento dos oceanos, acompanhado pela perda de oxigênio e pelo aumento da acidez, pode criar condições de dificuldade de sobrevivência para a vida marinha, o que impacta diretamente as comunidades pesqueiras dependentes dos recursos.

“Não há bons resultados se permanecermos acima de 1,5°C. Em todo o mundo, ondas de calor extremas já estão comprovando que os impactos climáticos serão mais rápidos, mais severos e mais duradouros, custando mais vidas e causando transtornos ainda maiores”, afirmou Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).

O que ainda pode ser feito
Embora o cenário seja de preocupação, as Nações Unidas enfatizam que o futuro não está predeterminado e que limitar o aquecimento de longo prazo a 1,5ºC ainda é viável se o mundo adotar com urgência uma trajetória de “ultrapassagem, pico e declínio” (overshoot, peak and decline).

A estratégia consiste em conter ao máximo a magnitude da temperatura máxima de pico e encurtar a duração do período em que a Terra ficará acima dos limites de segurança climática.

Para que o caminho de retorno seja bem-sucedido, o relatório aponta ações imediatas que devem ser adotadas. O relatório indica que é necessária uma redução sustentada de gases como o dióxido de carbono (CO₂) e de poluentes de vida curta, em especial o metano.

A redução das emissões de metano no setor de combustíveis fósseis, resíduoes e agropecuária é considerada a ferramenta mais eficaz no curto prazo para desacelerar o aquecimento global e reduzir os picos de aumento de temperatura.

Além disso, o estudo aponta que é preciso acelerar a expansão de fontes de energias renováveis para uma representação entre 60% e 70% da eletricidade gerada no mundo até 2030, alinhando-se aos objetivos internacionais de triplicar a capacidade global de energia renovável acordados na COP 28.

Outro ponto é a utilização de tecnologias e métodos de Remoção de Dióxido de Carbono (CDR), reflorestamento tradicional e técnicas de armazenamento geológico, para equilibrar emissões residuais e alcançar emissões líquidas negativas.

Por fim, o relatório indica que os países com maior responsabilidade pelo aquecimento global e maior capacidade financeira devem liderar os cortes de emissões e financiar a adaptação das nações mais vulneráveis.

“Agora é o momento de redobrarmos nossos esforços em prol da ação climática. Podemos – e devemos – trilhar o caminho certo. Reduzindo as emissões de gases de efeito estufa, fortalecendo a resiliência e a adaptação e garantindo que o aumento da temperatura acima de 1,5°C seja o menor e mais breve possível”, complementou Inger Andersen.

Fonte:CNN Brasil