Artistas cearenses doam obras para ajudar tratamento de criança com doença que afeta os olhos

Uma mobilização de artistas cearenses busca ajudar no tratamento de Heitor Santos, de 9 anos, que convive há cerca de três anos com dermatite atópica severa e passou a apresentar complicações nos olhos. Para contribuir com os custos do tratamento, 26 nomes das artes visuais do Ceará doaram obras que integram uma exposição beneficente na Galeria Panorama, em Fortaleza.

A mostra foi aberta em 9 de setembro e permanece disponível para visitação no espaço localizado no Centro de Fortaleza. As obras podem ser adquiridas, e os recursos arrecadados serão destinados à família para ajudar a custear o tratamento de Heitor.

A iniciativa surgiu a partir do próprio pai do menino, o artista plástico Wanger Santos. Integrante da Associação dos Artistas Plásticos do Ceará (Associav), ele relatou a situação enfrentada pela família em grupos de artistas dos quais participa. Amigos se mobilizaram e propuseram a doação das obras.

Entre os artistas que participam da exposição estão Vando Figueiredo, Expedito Lima, Oswaldo, Válber Benevides, Sandra Montenegro, Samya Magi, Diana Dallen Centurion, Cristiane Arruda, Andrea Agda e Júlia Romano, além do próprio Wanger Santos.

Segundo o pai, a mobilização tem como objetivo contribuir para que Heitor consiga manter o tratamento indicado pelos médicos e reduzir as complicações provocadas pela doença.

DOENÇA COMEÇOU HÁ TRÊS ANOS E PASSOU A AFETAR OS OLHOS
Os primeiros sinais da dermatite atópica apareceram quando Heitor tinha cerca de 6 anos. Segundo Wanger, as crises começaram a afetar principalmente as dobras do corpo. “Quando ele ia para o futebol e corria, suava bastante. As partes das dobrinhas do corpo, tipo atrás do joelho, na frente dos cotovelos e no pescoço, ficavam na carne viva ou então bastante feridas”, detalha em entrevista ao Diário do Nordeste.

Com o tempo, as manifestações também passaram a atingir os olhos. Durante as crises, Heitor apresenta vermelhidão, secreção e dificuldade para mantê-los abertos. A sensibilidade à luz também fez com que ele precisasse se afastar de atividades e perdesse aulas ao longo do ano.

A família passou por consultas com diferentes especialistas e recorreu a colírios para controlar os sintomas oculares. Wanger afirma que buscou a avaliação de mais de sete alergologistas no último ano.

Na última vez que ele foi pra consulta a gente ficou em estado de choque porque a médica disse que ele tava com pus no olho e isso poderia agravar a visão dele a tal ponto de até mesmo ele perder a visão.

O envolvimento dos olhos não é incompatível com a dermatite atópica. O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde aponta que a doença pode apresentar complicações extracutâneas, incluindo problemas oftalmológicos, como ceratoconjuntivite atópica e ceratoconjuntivite vernal. O documento também cita complicações como ceratocone, ceratite infecciosa e blefarite.

TRATAMENTO PODE CUSTAR QUASE R$ 60 MIL
Além dos cuidados com a pele, que incluem hidratantes e protetor solar, a família afirma ter recebido a indicação de um tratamento com imunoterapia diante da gravidade do quadro.

O pai conta que Heitor apresenta alergias, entre elas a ácaros, poeira, pelos de animais e baratas. Segundo ele, os médicos indicaram um tratamento específico de vacinas para as alergias e informaram que a terapia poderá durar de três a cinco anos.

A família estima que cada aplicação custe cerca de R$ 400. Considerando uma aplicação por semana, o gasto chega a aproximadamente R$ 1,6 mil por mês e R$ 19,2 mil por ano. “Os valores dessas vacinas, referente ao tratamento do Heitor que são semanais, estão muito acima do que podemos custear.”, afirma o pai.

R$ 57,6 MIL Valor estimado dos três anos de tratamento
Para conseguir iniciar o tratamento, a família realizou uma rifa e, segundo Wanger, conseguiu comprar as primeiras aplicações. O pai afirma ainda que o plano de saúde não cobre todos os atendimentos e que a família também precisa arcar com consultas particulares quando determinados especialistas não estão disponíveis pela operadora.

FAMÍLIA AGUARDA ATENDIMENTO PELA REDE PÚBLICA
Wanger afirma que a família também busca acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A família relata espera por atendimento na rede municipal. De acordo com o pai, Heitor está aguardando desde 11 de junho por uma consulta.

Questionada sobre o caso, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que o paciente é acompanhado pelo posto de saúde Aída Santos, onde realiza consultas médicas. Segundo a pasta, o próximo atendimento está previsto para este mês.

A SMS explicou que a consulta terá como objetivo dar continuidade à avaliação clínica e à realização de exames laboratoriais. Após essa etapa, caso haja indicação para novos atendimentos especializados, o cadastro do paciente na Central de Regulação será atualizado conforme os critérios de risco e prioridade clínica. Ainda segundo a secretaria, o caso é acompanhado por uma equipe multidisciplinar para conclusão do atendimento.

DERMATITE ATÓPICA É DOENÇA CRÔNICA
A dermatite atópica é uma doença crônica e não contagiosa, caracterizada por inflamação da pele, ressecamento e coceira intensa. É mais frequente na infância e resulta de uma combinação de fatores genéticos e ambientais, alterações na barreira de proteção da pele e desregulação do sistema imunológico.

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença pode variar de quadros leves a graves. Nos casos considerados graves, a pele pode apresentar ressecamento difuso, coceira constante e inflamação, além de escoriações, sangramento, espessamento e alterações de pigmentação. A condição também pode comprometer atividades cotidianas e o sono.

O SUS possui um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas específico para a dermatite atópica. A versão atualmente vigente foi aprovada em novembro de 2025 e estabelece critérios nacionais para diagnóstico, tratamento e acompanhamento dos pacientes.

SAIBA COMO CONTRIBUIR
As 26 obras estão expostas na Galeria Panorama, endereçada em Rua Rodrigues Junior,131, no bairro Centro, em Fortaleza. O espaço funciona de segunda a sexta-feira, de 8h às 18h, e sábado, das 8h às 14h.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:Diário do Nordeste