Beth Goulart sobre Alzheimer: “Cuidar do cérebro começa antes dos sintomas”

O Alzheimer e a demência fizeram parte da história da família de Beth Goulart. A avó da atriz enfrentou um quadro demencial, enquanto o avô e um tio foram diagnosticados com Alzheimer. A experiência de acompanhar de perto os efeitos das doenças fez Beth transformar uma vivência pessoal em um alerta: o cuidado com a saúde do cérebro precisa começar antes que apareçam os primeiros sinais de perda de memória ou comprometimento cognitivo.

Atriz, diretora e escritora, Beth defende que a saúde cerebral passe a ocupar na rotina o mesmo espaço que os cuidados com o corpo. Para ela, prevenção, informação e acolhimento devem fazer parte desse processo.

“Falar sobre os cuidados com o cérebro é também falar sobre uma escolha que precisamos fazer todos os dias: a escolha de cuidar de nós mesmos. A minha própria história me mostrou de perto o quanto a saúde do cérebro impacta a vida de uma pessoa e de toda a família”, afirma.

Em entrevista à CNN Brasil, Beth alerta que o cérebro não pode ser lembrado apenas quando surgem esquecimentos frequentes, mudanças de comportamento ou dificuldades para realizar tarefas do cotidiano.

Ainda precisamos criar o hábito de colocar o cérebro na nossa rotina de cuidados, assim como já fazemos com o corpo. Não adianta cuidar do corpo e deixar o cérebro de lado, porque é ele que nos permite preservar nossa autonomia, nossa independência, nossas memórias e, principalmente, a nossa capacidade de viver com qualidade. Por isso, acredito tanto na cultura da prevenção e em começar esse cuidado o quanto antes. -Beth Goulart, atriz e embaixadora do método Supera de estimulação cognitiva.

Beth participou da oitava edição do evento “Despertando a Sociedade para a Saúde do Cérebro”, realizado em São Paulo. O encontro reuniu médicos, pesquisadores, cuidadores e pessoas diagnosticadas com doenças neurodegenerativas para discutir prevenção, diagnóstico, políticas públicas e qualidade de vida.

Durante o fórum, a atriz também destacou a importância do afeto no cuidado de pessoas que vivem com Alzheimer ou outras formas de demência. Na avaliação dela, preservar vínculos e respeitar a história de cada paciente são atitudes fundamentais ao longo do processo.

“É fundamental o amor. O afeto talvez seja o cuidado da alma que ajuda o corpo a compreender a vida”, declarou durante o encontro.

Prevenção começa antes dos sintomas
A relação entre hábitos cotidianos e saúde cerebral ganhou força nos últimos anos. Diretrizes divulgadas pela OMS (Organização Mundial da Saúde) em julho de 2026 apontam que até 45% do risco de demência pode ser prevenido ou adiado por meio do enfrentamento de fatores modificáveis ao longo da vida.

Entre as recomendações estão atividade física, estímulo cognitivo, convívio social e controle de condições como hipertensão, diabetes e colesterol elevado.

A estimativa está alinhada a um relatório da Comissão da revista científica The Lancet, que identificou 14 fatores de risco modificáveis associados às demências. Entre eles estão inatividade física, isolamento social, tabagismo, depressão, perda auditiva, perda de visão não tratada, hipertensão e colesterol LDL elevado.

Isso não significa que todos os casos de demência possam ser evitados. As doenças têm causas diversas e também estão relacionadas a fatores genéticos e ao próprio envelhecimento. As evidências indicam, porém, que mudanças de hábitos, acompanhamento médico e políticas públicas podem contribuir para reduzir riscos ou retardar o aparecimento dos sintomas.

Para o geriatra Leandro Minozzo, docente da Universidade Feevale e consultor do Supera, o debate sobre saúde cerebral precisa avançar para além do diagnóstico e do tratamento.

“Os avanços científicos nessas áreas são importantes e trazem perspectivas positivas, porém, do ponto de vista coletivo, também precisamos olhar para aquilo que pode ser feito antes do surgimento dos sinais”, afirma.

Segundo o médico, o aumento da longevidade torna esse cuidado ainda mais necessário. As pessoas vivem mais, permanecem ativas profissionalmente por mais tempo e precisam preservar habilidades essenciais para tomar decisões, manter relações e conduzir a própria rotina.

“A prevenção precisa fazer parte dessa conversa. Cuidar do cérebro não deve ser uma preocupação que começa apenas diante de uma suspeita de demência, mas uma atitude construída ao longo da vida”, explica.

Alzheimer pode ser prevenido? 14 fatores que ajudam a reduzir o risco

Corpo, mente e relações sociais
Não existe uma única medida capaz de proteger o cérebro. De acordo com Minozzo, a saúde cognitiva depende de um conjunto de hábitos mantidos ao longo do tempo.

“Manter uma alimentação equilibrada, ter um sono de qualidade, praticar exercícios físicos regularmente, participar de atividades de estimulação cognitiva estruturada e cultivar as relações sociais são atitudes que podem contribuir para a saúde do cérebro e para um envelhecimento com mais autonomia e qualidade de vida”, orienta.

O cuidado também deve incluir o acompanhamento de condições cardiovasculares e metabólicas, além da atenção à audição, à visão e à saúde mental.

Ao transformar uma experiência familiar em uma conversa pública, Beth Goulart reforça uma mensagem que vai além da prevenção da demência: cuidar do cérebro não é uma preocupação restrita à velhice.

É um processo que pode começar muito antes, nas escolhas feitas diariamente, e que ajuda a preservar elementos fundamentais da vida, como as memórias, os vínculos, a autonomia e a capacidade de conduzir a própria história.

Eu também mudaria o título para esse formato porque “conviveu com Alzheimer na família” cria uma entrada mais humana e de maior potencial de clique, enquanto o dado dos 45% fica no subtítulo como informação forte de serviço.

 

 

 

Fonte:CNN Brasil