Cachorro caramelo comunitário aparece morto e revolta vizinhos no Conjunto Palmeiras

Um cachorro comunitário conhecido como Nóia, ou Caramelo, foi encontrado morto dentro de um saco de lixo no Conjunto Palmeiras, em Fortaleza, nessa quinta-feira (5). O animal, que vivia há cerca de dois anos na vizinhança, teria sido envenenado no dia anterior, segundo relatos de moradores. A morte provocou revolta entre as pessoas que cuidavam dele e ofereciam abrigo e alimentação.

O cão circulava por diferentes ruas do bairro, mas tinha pontos de apoio na Rua Ismael Silva. Uma das moradoras que cuidavam dele, a cerimonialista Iandara Rayane, conta que o animal tinha uma relação de afeto com parte da comunidade, mas também enfrentava rejeição por causa dos latidos e do hábito de correr atrás de motocicletas.

“Era uma relação bem de amor e ódio. Metade dos vizinhos gostava muito dele, principalmente o pessoal que tinha muito afeto por animais. Outros não gostavam pelo fato de ele correr atrás de algumas motos e latir. Mas ele nunca chegou a morder de fato alguma pessoa”, relata.

Apesar das reclamações, Noia era conhecido pelo comportamento alegre e pela proximidade com quem o acolhia. Na casa de Iandara, por exemplo, encontrava abrigo nos horários de calor intenso e durante à noite. Também recebia alimentação e costumava acompanhar os passeios do cachorro da família.

“Ele gostava muito do pessoal da minha casa. Quando dava o horário do passeio do meu cachorro, de manhã e à noite, ele sempre estava aqui com a gente para ir junto”, conta.

CACHORRO FOI A CASA DE VIZINHOS QUANDO ESTAVA PASSANDO MAL
Segundo Iandara, Noia foi resgatado ainda filhote por uma vizinha, depois de ser encontrado ferido dentro de um canal. A mulher cuidou dos machucados e continuou alimentando o animal, mas não conseguiu adotá-lo porque não tinha quintal em casa. Com o tempo, outros moradores também passaram a oferecer comida e acolhimento.

Na quarta-feira (4), Iandara viu o cachorro pela manhã. À noite, ao voltar do trabalho, estranhou não encontrá-lo esperando no portão, como costumava acontecer.

No dia seguinte, uma vizinha contou ao pai da cerimonialista que Noia havia aparecido na rua com sinais de envenenamento. O animal estaria babando muito e correndo de maneira desorientada.

Outra moradora também teria recebido a visita do cachorro naquele estado. Nenhuma das duas, porém, tinha carro para levá-lo a um veterinário, alega Iandara.

Depois disso, o animal desapareceu. Os moradores não sabiam onde ele havia morrido até encontrarem o corpo dentro de um saco de lixo, na esquina da rua, na Avenida Valparaíso.
A moradora afirma que não há confirmação sobre quem matou o cachorro, mas acredita que o envenenamento possa ter ocorrido nas proximidades, já que ele não teria se afastado muito da região.

MORADORES RELATAM AGRESSÕES E AMEAÇAS
A morte de Noia também revela episódios anteriores de violência contra o animal. Conforme Iandara, o cachorro já havia aparecido na casa dela com ferimentos na cabeça, incluindo um corte aberto que, segundo ela, teria sido provocado por pauladas.

A cerimonialista afirma ainda que ouviu comentários de pessoas da vizinhança que ameaçavam matar o animal por causa dos latidos.

Diante da situação, Iandara registrou um Boletim de Ocorrência. Na delegacia, informaram a denunciante que o caso deve ser encaminhado à Delegacia de Meio Ambiente. O Diário do Nordeste questionou à Secretaria de Segurança Pública sobre a investigação, mas ainda não obteve resposta.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte:Diário do Nordeste