Para Caiado, PCC e CV são “multinacionais do crime”; pré-candidato apoia ação dos EUA.
Em um posicionamento que repercute no cenário político nacional, o ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência pelo PSD, Ronaldo Caiado, afirmou que as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e Comando Vermelho (CV) se consolidaram como as maiores “multinacionais do crime” no Brasil. A declaração foi feita nesta segunda-feira (1º), durante o evento Eloos, uma iniciativa da Itatiaia em parceria com a CNN Brasil.
Caiado expressou apoio à recente decisão dos Estados Unidos de classificar essas organizações como grupos terroristas, argumentando que tal medida, embora não resolva o problema da criminalidade por si só, serve como um instrumento crucial para a cooperação internacional no combate ao crime organizado. O pré-candidato destacou que o verdadeiro risco para o Brasil não reside na classificação em si, mas nas possíveis retaliações comerciais de outros países, especialmente europeus, diante da crescente expansão do narcotráfico brasileiro.
O apoio à classificação internacional do crime organizado
A decisão dos Estados Unidos de categorizar o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas representa um marco significativo na luta global contra o crime organizado. Ronaldo Caiado, ao endossar essa medida, ressaltou a importância de uma abordagem mais rigorosa e coordenada em nível internacional. Para ele, a denominação de “multinacionais do crime” reflete a complexidade e o alcance transnacional dessas facções, que operam com uma estrutura e logística comparáveis a grandes corporações, mas dedicadas a atividades ilícitas.
O ex-governador enfatizou que a classificação pode abrir portas para uma maior troca de informações, cooperação policial e jurídica entre nações, fortalecendo as ferramentas disponíveis para desmantelar essas redes criminosas. Ele vê a medida como um passo necessário para que o Brasil e a comunidade internacional reconheçam a gravidade da ameaça representada por essas organizações, que extrapolam as fronteiras nacionais e impactam a segurança e a economia de diversos países.
Impactos comerciais e a expansão do narcotráfico
Caiado alertou para as consequências econômicas que a inação ou a percepção internacional sobre o avanço do narcotráfico no Brasil podem acarretar. Segundo ele, o país, ao se tornar um dos maiores exportadores de cocaína para a Europa e os Estados Unidos, corre o risco de enfrentar retaliações comerciais. O pré-candidato citou o acordo Mercosul-União Europeia como um exemplo de pacto que poderia ser prejudicado, caso países europeus utilizem a questão do narcotráfico como justificativa para se afastar de compromissos comerciais.
“Não corremos risco com a declaração de Trump, mas sim com os países europeus que querem fugir do acordo Mercosul-União Europeia porque hoje o Brasil é o maior exportador de cocaína para Europa e Estados Unidos. Como represália, isso pode gerar retaliações ao nosso mercado”, declarou Caiado, sublinhando a interconexão entre segurança pública e política econômica externa. A preocupação é que a imagem do Brasil como um polo de exportação de drogas possa minar a confiança e a credibilidade do país em negociações e parcerias comerciais globais, afetando setores vitais da economia.
Críticas políticas e o crescimento do crime organizado
Aproveitando o debate sobre o crime organizado, Ronaldo Caiado direcionou críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, associando a expansão das facções criminosas a períodos de governo do petista. Ele questionou o crescimento dessas organizações ao longo de mandatos anteriores, sugerindo uma falha na gestão da segurança pública que permitiu o fortalecimento dessas “multinacionais do crime”.
“Em cinco mandatos, quais foram as maiores multinacionais que cresceram? PCC e Comando Vermelho. São as duas maiores multinacionais do crime hoje”, afirmou Caiado, reforçando sua tese sobre o avanço dessas facções. A crítica política visa não apenas apontar problemas passados, mas também posicionar sua própria visão sobre como o estado deve atuar no enfrentamento dessas organizações, que, segundo ele, “sequestram a vida de milhões de brasileiros e deixam milhares de mães chorando pelos filhos executados”.
Reflexos no sistema financeiro e futuro político
Ao ser questionado sobre os eventuais impactos da classificação de facções como terroristas para o mercado financeiro, o ex-governador minimizou os efeitos sobre o setor como um todo, mas ressaltou que instituições e indivíduos envolvidos em atividades ilícitas seriam diretamente atingidos. “Vai afetar o sistema financeiro? Sim. A fintech que estiver lavando dinheiro e aquele que estiver participando do narcotráfico vão ser afetados”, declarou, indicando que a medida visa aprofundar a fiscalização e a punição de cúmplices do crime organizado.
Caiado lamentou que a iniciativa de classificar as facções como organizações terroristas não tenha partido de um eventual governo seu. Ele afirmou que, caso tivesse assumido a Presidência em 2027, teria encaminhado uma proposta semelhante ao Congresso Nacional. Essa declaração reforça sua plataforma política de combate rigoroso ao crime e sua visão de que o Brasil precisa de medidas mais contundentes para enfrentar o poderio dessas “multinacionais do crime”.
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