Campanha de Danilo Morgado (PL) teria sido financiada pelo PCC, diz polícia

O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) foi preso na manhã desta quinta-feira (17) durante uma operação que mira a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no transporte público paulista. O político é suspeito de ligação com a facção em um esquema de financiamento de campanhas eleitorais em 2024.

As investigações, conduzidas pela Polícia Civil e Ministério Público de São Paulo, apontaram que Morgado, à época candidato à Prefeitura de Praia Grande, no litoral paulista, teria tido sua campanha apoiada e financiada por membros do PCC.

Diálogos extraídos de celulares apreendidos durante a operação mencionam ainda a intermediação de José Ronaldo Alves de Sales, ex-funcionário da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo).

As mensagens indicariam uma interlocução com advogados e empresários e possível influência da organização sobre integrantes do Poder Legislativo.

Segundo as autoridades, a atuação do PCC se estendia ainda para a definição e interrupção de aportes financeiros e obtenção de apoio político para os candidatos.

Candidato já foi investigado
De acordo com o despacho judicial, obtido pela CNN Brasil, Morgado foi alvo na operação “Decúrio”, que mirou a estrutura criminosa do PCC suspeita de utilizar empresas, agentes privados e agentes públicos para a consecução de interesses do grupo.

À época da ação, realizada em agosto de 2024, o candidato a deputado estadual foi alvo de um mandado de busca e apreensão.

Na investigação que embasou a ação desta quinta, os investigadores identificaram um “forte vínculo” de Danilo Morgado com o PCC. Segundo o documento, foram coletados diversos indícios do financiamento da sua candidatura à prefeitura municipal feita através da facção.

Entenda o caso: MP aponta atuação do PCC no financiamento de campanhas eleitorais em SP

O que diz a defesa
A assessoria de Danilo Morgado (PL) confirmou a prisão do candidato e afirmou que trata-se de uma perseguição contra o político. Leia na íntegra:

“Meses atrás Danilo foi alvo de um processo onde se pedia sua prisão, movido pelo prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão.

Na época, o motivo do pedido de prisão foram vídeos publicados por Danilo, denunciando supostas licitações ligadas ao PCC dentro da prefeitura de Praia Grande, ou seja, Danilo trouxe a tona a mesma denuncia feita pelo delegado Dr. Ruy Ferraz Fontes.

Agora, em plena campanha eleitoral, e um dia antes da data que proíbe prisão de candidatos, Danilo é preso. A sequência dos fatos fala por si.

O coronel nunca muda seu modo de agir: intimida e tenta calar quem não se curva. Prenderam Danilo, mas despertaram milhares. Esperamos que os fatos sejam apurados a fundo e tudo seja esclarecido em breve.

O que não dá pra engolir é a forma que aconteceu: às vésperas da eleição, numa prisão que temos motivo para considerar irregular. Isso não é investigação, é perseguição.”

Na operação desta quinta, nomeada como Vectura Corrupta, agentes buscam cumprir mandados de prisão contra 16 alvos, incluindo o ex-vereador Milton Leite.

De acordo com a última atualização, nove já foram presos: Júlio Salvador Filho; Claudionor Aparecido Sabino Tomaz; Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans; Carla de Paula Muller, esposa de “Granada”, do PCC; Edivania Arruda Botelho Alves; André Cassali; José Ronaldo Alves de Sales; Edson Antonio de Souza; e Danilo Marco Morgado Silva, candidato a deputado estadual pelo PL (Partido Liberal).

 

Fonte:CNN Brasil