Campanha do PT desembolsou quase R$ 8 mi a firmas da Lava Jato

Companhias investigadas pela Justiça são uma locadora de equipamentos e uma gráfica. Despesas foram registradas no TSE por Lula e Haddad

A campanha do PT gastou quase R$ 8 milhões para contratar serviços de empresas citadas na operação Lava Jato. As despesas foram registradas nos gastos de campanha tanto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve a candidatura indeferida, como de Fernando Haddad, atual candidato do PT à Presidência da República.

As informações sobre as despesas de campanha foram divulgadas pelo jornal “Folha de S. Paulo” e confirmadas pelo R7 no portal do TSE (Tribunal Superior Eleitoral.

Foram gastos R$ 4,9 milhões com a empresa Rentalcine, registrados na campanha de Lula, para a locação de equipamentos de gravação. Um dos sócios da companhia é réu na Lava Jato e outro é colaborador da Justiça no Peru, em delação relacionada à Odebrecht.

Já na campanha de Haddad foram registrados gastos de R$ 2,1 milhões com a mesma empresa.

Segundo dados do TSE, a Rentalcine é a empresa que representa as maiores despesas para a campanha petista. Os gastos totais da campanha presidencial de 2018 somam R$ 28 milhões e a locadora gerou despesas de R$ 7,1 milhões.

A Rentalcine apareceu no noticiário da Lava Jato em maio de 2017, depois da delação premiada da publicitária Mônica Moura — ela relatou ter recebido R$ 200 mil “por fora” de um dos sócios da empresa, Giovane Favieri. Em 2016, o MPE (Ministério Público Estadual) de São Paulo tornou a Rentalcine alvo de um inquérito por causa de um contrato com a Assembleia Legislativa do Estado.

O sócio da Rentalcine Giovane Favieri é réu na Lava Jato por lavagem de dinheiro. O sócio Valdemir Garreta firmou acordo de delação com autoridades peruanas em investigação que apura caixa 2. Segundo Garreta, a Odebrecht pagou US$ 2 milhões para assessoramento na campanha de reeleição.

Além da Rentalcine, outra companhia envolvida na Lava Jato e contratada pela campanha petista é a gráfica Braspor. Em 2018, a campanha gastou R$ 741 mil na compra de panfletos feitos pela gráfica.

A empresa apareceu na Lava Jato após a Polícia Federal identificar um suposto repasse de dinheiro para uma empresa fantasma do ex-deputado federal André Vargas, que era do PT na época.

A gráfica teria feito pelo menos três depósitos na conta da empresa mantida por Vargas, chamada LSI, em 2013 e 2014. Os pagamentos somaram R$ 79 mil. O ex-deputado foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro com pena de quase 14 anos e está preso.

O PT afirma que “são contratações regulares e declaradas ao TSE de acordo com a lei”.

A reportagem do R7 entrou em contato com a Braspor e aguarda um posicionamento oficial. Segundo o jornal, Garreta não se manifestou e Favieri disse ser inocente na acusação da Lava Jato e disse que não sabia da origem do dinheiro. “Estamos locando toda estrutura física e de equipamentos para a produção de TV, rádio e internet, para a campanha presidencial do PT. Praticando preços de mercado”, afirmou Favieri à “Folha”. Ao jornal, a campanha do PT afirmou que não se pronunciaria.

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