Caso Mary Hellen: brasileira presa por tráfico na Tailândia volta ao Brasil, diz defesa

Mary Hellen Coelho Silva, de Pouso Alegre (MG), foi presa em 2022 com cocaína no aeroporto de Bangkok. Segundo a advogada, ela respondeu ao processo “de forma adequada”.

A brasileira Mary Hellen Coelho Silva, de Pouso Alegre (MG), voltou ao Brasil após cumprir pena por tráfico internacional de drogas na Tailândia. A informação foi confirmada ao g1 pela advogada responsável pelo caso, Kaelly Cavoli Moreira. A data exata do retorno não foi informada.

Segundo a advogada, Mary Hellen está recomeçando a vida com a família, após perder a mãe e o avô durante o período em que esteve presa. A defesa também afirmou que a equipe jurídica ofereceu suporte à brasileira durante a prisão, mas relatou dificuldades na relação com a Embaixada do Brasil.

“Ela respondeu ao processo de forma adequada na Tailândia. Fizemos tudo o que podíamos para apoiar a Mary Hellen durante o período e fornecemos todo o suporte possível. Enfrentamos muitas dificuldades geradas pela própria embaixada brasileira, que dificultou o acesso e falhou na prestação de suporte”, disse ao g1.

Procurado pelo g1, o Ministério das Relações Exteriores informou que, por meio da Embaixada do Brasil em Bangkok, tomou conhecimento do caso em 2022 e prestou assistência consular à brasileira.

Segundo o ministério, o atendimento consular ocorre a partir do contato do próprio cidadão ou, dependendo do caso, de familiares. A pasta afirmou ainda que a atuação consular brasileira segue as legislações nacional e internacional.

O Itamaraty ressaltou que, em respeito à privacidade dos cidadãos e em cumprimento à Lei de Acesso à Informação e ao Decreto nº 7.724/2012, não divulga informações pessoais de brasileiros que solicitam serviços consulares nem fornece detalhes sobre a assistência prestada.

Defesa relatou dificuldades

Em abril, a defesa afirmou enfrentar dificuldades para obter informações atualizadas sobre a situação de Mary Hellen na Tailândia. Segundo a advogada, o contato com a brasileira era praticamente inexistente desde o início do ano.

De acordo com a defesa, a comunicação era feita anteriormente por chamadas de vídeo intermediadas pela embaixada brasileira. Esse suporte, no entanto, teria sido interrompido, o que, segundo Kaelly, dificultou o acesso a informações tanto para a equipe jurídica quanto para os familiares.

“Desde o início do ano, a Embaixada tem se recusado a prestar até mesmo os serviços mais simples de assistência consular. Essa postura tem inviabilizado o contato direto e o repasse de informações essenciais tanto para a defesa quanto para os familiares, configurando um verdadeiro cenário de abandono do cidadão brasileiro detido em jurisdição estrangeira”, afirmou a advogada, em nota enviada na ocasião.

Na época, a defesa também apontou dificuldades relacionadas à barreira do idioma, às diferenças entre os sistemas jurídicos e ao fuso horário. A equipe jurídica buscava alternativas para acompanhar a fase final do cumprimento da pena.

Em posicionamento ao g1, o Ministério das Relações Exteriores informou que acompanhava o caso desde 2022. Segundo a pasta, a assistência consular incluía visitas periódicas, oferta de auxílio material quando necessário e contato com as autoridades prisionais para acompanhar a situação da brasileira.

O ministério afirmou ainda que a atuação seguia as diretrizes da Convenção de Viena sobre Relações Consulares e do Regulamento Consular Brasileiro.

Redução da pena e expectativa de retorno

Ainda em abril de 2026, a defesa informou que o último contato com Mary Hellen havia ocorrido em novembro de 2025. Na ocasião, segundo a advogada, a brasileira já havia conseguido uma redução significativa da pena após apresentar bom comportamento no sistema prisional.

Ainda havia um pedido protocolado em dezembro de 2025, em que a análise era aguardada pela defesa. Segundo Kaelly, Mary Hellen também havia sido beneficiada pelo chamado Perdão Real em relação à multa, além de outras medidas que contribuíram para a redução da pena.

Naquele momento, a expectativa era de que o cumprimento da sentença fosse concluído no primeiro semestre de 2026. Diante das dificuldades para obter informações, familiares e advogados buscavam alternativas para acompanhar a situação da brasileira.

Uma das medidas em estudo era a contratação de um advogado que atuasse diretamente na Tailândia, de forma particular ou voluntária. A família chegou a buscar recursos para viabilizar esse acompanhamento.

Relembre o caso

Mary Hellen Coelho Silva foi presa em fevereiro de 2022, no aeroporto de Bangkok, na Tailândia, junto de outro brasileiro. Segundo as informações divulgadas na época, o grupo transportava 9 quilos de cocaína escondidos em compartimentos ocultos de três malas. Um terceiro suspeito foi detido horas depois com outros 6 quilos da droga.

Em 8 de maio de 2022, a Justiça tailandesa condenou Mary Hellen a 9 anos e 6 meses de prisão, divididos em dois anos por um crime civil e sete anos e seis meses por um crime penal. A sentença foi divulgada no Brasil no dia 11 de maio.

O advogado Telêmaco Marrace, que atuava no caso na época, informou que Mary Hellen se declarou culpada perante a Justiça tailandesa. Segundo ele, a brasileira admitiu ter entrado no país com drogas e afirmou ter atuado como “mula” do tráfico. Até então, os advogados afirmavam que a jovem não sabia da existência da droga dentro da mala.

Posteriormente, a defesa informou que a brasileira recebeu benefícios que reduziram a pena, incluindo o perdão dos valores da multa aplicada pela condenação civil, de 750 mil bahts, equivalentes a cerca de R$ 105 mil na cotação da época.

Fonte:G1