Vôlei feminino: CBV adota teste genético e redefine elegibilidade para atletas trans
A Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) anunciou na última sexta-feira, 14 de agosto de 2026, uma significativa alteração em suas diretrizes de elegibilidade para a categoria feminina. Uma nova normativa, assinada pela presidência do órgão, estabelece o teste do gene SRY como o critério primordial para a participação de atletas, marcando uma mudança substancial na política anterior.
Esta medida revoga a regra prévia (PL-GOV-004 de 2025), que permitia a inclusão de atletas trans em competições femininas, desde que mantivessem seus níveis de testosterona sérica abaixo de um limite específico por um período contínuo antes da inscrição. A nova regulamentação da CBV busca alinhar o voleibol de quadra e de praia no Brasil às diretrizes já adotadas por entidades internacionais como o Comitê Olímpico Internacional (COI) e a Federação Internacional de Voleibol (FIVB).
Critério genético: o teste do gene SRY
A partir de agora, a elegibilidade para competir na categoria feminina exige, de forma compulsória, a comprovação de um resultado SRY-negativo. Isso significa que a identidade de gênero, o sexo registrado em documentos civis, tratamentos de afirmação de gênero ou a supressão hormonal de testosterona não serão mais fatores determinantes para garantir o direito de atuação nesta categoria.
O teste de triagem SRY é um exame que investiga a presença do cromossomo Y no DNA, um fator crucial para o desenvolvimento masculino. Este teste possui caráter vitalício, sendo realizado uma única vez por meio de amostra de saliva, bucal ou sangue, e seu resultado é considerado definitivo para fins de elegibilidade.
Exceções e o impacto para atletas trans
Atletas que apresentarem resultado SRY-positivo só poderão competir na categoria feminina em casos específicos, como a comprovação clínica da Síndrome de Insensibilidade Androgênica Completa ou outra condição XY-DSD que impeça completamente a absorção e o efeito anabólico da testosterona no organismo. Fora dessas exceções médicas, atletas SRY-positivos, incluindo mulheres trans, permanecem elegíveis para a categoria masculina.
A nova regra tem um impacto direto em atletas como Tifanny Abreu, ponteira do Osasco e a primeira mulher trans a disputar uma partida oficial da Superliga no Brasil. Com a implementação desta normativa, Tifanny e outras atletas trans que não se enquadrem nos novos critérios genéticos podem ser impedidas de participar das competições femininas.
Transparência, custos e penalidades
A norma da CBV estabelece que o exame SRY será aplicado de forma impessoal e universal, proibindo expressamente qualquer testagem motivada por aparência física, denúncias ou rumores. A Confederação busca garantir a objetividade e a imparcialidade no processo de verificação.
Em relação aos custos financeiros, a normativa determina que os exames fiquem a cargo das próprias atletas ou de seus respectivos clubes. A CBV assumirá o custeio do teste genético apenas quando a realização for demandada em razão de uma convocação para a seleção brasileira. O regulamento estipula ainda punições disciplinares, éticas, cíveis e criminais em casos de adulteração de amostras, fraudes no processo de testagem ou vazamento indevido de dados médicos protegidos, reforçando a seriedade e a integridade do novo sistema.
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