Ceará intensifica combate à dengue diante do avanço da doença no interior
A Secretaria da Saúde do Ceará intensificou as medidas de enfrentamento à dengue após identificar uma elevação nas notificações da doença em diferentes regiões do estado. A maior atenção está concentrada em municípios do Norte cearense, do Litoral Leste e do Vale do Jaguaribe, onde o crescimento dos registros modificou o cenário epidemiológico observado no início do ano.
Até o dia 10 de julho, o Ceará contabilizava 6.114 casos confirmados da doença. Dados divulgados pela Sesa também apontaram um acréscimo de 797 confirmações no intervalo de uma semana, reforçando a necessidade de ampliar a vigilância e as ações de bloqueio nas áreas com maior circulação do vírus.
Uma das prioridades é aumentar a capacidade de diagnóstico nos municípios. O Laboratório Central de Saúde Pública do Ceará, o Lacen, está orientando a ampliação da coleta de amostras para exames de RT-PCR. Além de confirmar a infecção, o método permite identificar o sorotipo responsável pelo caso e acompanhar possíveis mudanças na circulação viral.
As análises realizadas até a semana epidemiológica 26 identificaram a presença dos sorotipos 1, 2 e 3 no estado. Foram confirmadas nove amostras do tipo 1, 11 do tipo 2 e uma do tipo 3, indicando uma ligeira predominância do sorotipo 2 entre os resultados analisados. A vigilância desses tipos do vírus ajuda a direcionar as estratégias adotadas pelas autoridades sanitárias.
O reforço também ocorre diretamente nos municípios. Equipes de controle de endemias estão realizando aplicação localizada de inseticida em imóveis situados em áreas com transmissão identificada. Nas cidades em que os indicadores demonstram necessidade de uma intervenção mais ampla, o Estado disponibiliza veículos de Ultra Baixo Volume, popularmente conhecidos como carros fumacê.
A utilização do fumacê, entretanto, não substitui a retirada dos criadouros. A pulverização age principalmente contra mosquitos adultos e deve ser empregada em situações determinadas por critérios técnicos. A eliminação de recipientes com água acumulada continua sendo a principal forma de interromper o ciclo de reprodução do Aedes aegypti.
Outra frente da estratégia envolve a preparação dos profissionais que atuam nas Unidades Básicas de Saúde. As capacitações abordam a notificação dos casos suspeitos, a classificação de risco e a aplicação dos protocolos clínicos do Ministério da Saúde. O objetivo é reconhecer rapidamente pacientes que possam evoluir para quadros mais graves e garantir o encaminhamento adequado.
A Sesa também utiliza informações disponibilizadas pelo IntegraSUS para acompanhar a evolução da doença e orientar os gestores locais. Municípios que ainda não apresentam uma situação considerada crítica recebem alertas preventivos para que antecipem medidas de vigilância e controle.
Segundo a análise das autoridades estaduais, a elevação mais tardia dos casos pode estar relacionada à combinação entre chuvas prolongadas e temperaturas elevadas. Essas condições favorecem o acúmulo de água e aceleram o desenvolvimento do mosquito, principalmente em áreas residenciais.
A população deve verificar semanalmente caixas-d’água, calhas, vasos de plantas, pneus, garrafas, bebedouros de animais e outros objetos capazes de armazenar água. O Ministério da Saúde recomenda reservar pelo menos dez minutos por semana para eliminar possíveis focos do mosquito.
Febre alta, dores musculares e articulares, dor de cabeça e desconforto atrás dos olhos estão entre os sintomas associados à dengue. Sinais como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura e dificuldade para respirar exigem atendimento médico imediato, pois podem indicar agravamento do quadro.
Com o avanço das notificações, a estratégia do Estado passa pela integração entre diagnóstico, assistência aos pacientes, controle do mosquito e colaboração dos moradores. A orientação é que pessoas com sintomas evitem a automedicação e procurem uma unidade de saúde para avaliação profissional.
Fonte: ANC

