Ceará na COP 27: como o estado pretende atuar em questões climáticas

Estado apresenta no evento projetos para controlar emissão de poluentes do efeito estufa. Especialistas apontam impactos positivos no meio ambiente e na economia cearense caso mudanças sejam executadas.

A 27ª Conferência das Partes da Organização das Nações Unidas (COP 27), iniciada no último domingo (6), no Egito, discute pontos-chave para lidar com as questões climáticas — e o Ceará, representado pela governadora Izolda Cela, deve assumir posições quanto ao assunto.

O evento deve durar cerca de duas semanas e é fundamental para debater e buscar soluções para a crise climática. Em razão disso, representantes de 190 países, incluindo o Brasil, participarão da cúpula, que deve discutir temas como mitigação, adaptação, perdas e danos e financiamento climático.

O professor e pesquisador Marcelo Soares, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), da Universidade Federal do Ceará (UFC), ressaltou a importância do evento, dado que as mudanças climáticas estão “modificando profundamente” os ecossistemas, inclusive no estado. “Por exemplo, secas, incêndios, aumento do nível do mar, e tudo isso vai se traduzir em impactos no Ceará, não só ambientais e socioeconômicos”, apontou.

Um dos aspectos a serem considerados no âmbito estadual, na perspectiva dele, é o avanço do mar e a desertificação, problemas que devem impactar a economia em setores como o turismo e a vida de pessoas em vulnerabilidade social. Tais questões demandam um plano de vulnerabilidade de adaptação, o qual, além de entender como o estado é afetado por esses problemas, podem indicar ações para enfrentá-los.

Nesse aspecto, o Ceará criou um projeto chamado de inovação em políticas públicas estaduais de adaptação e mitigação dos impactos climáticos. O plano foi criado pelo programa Cientista Chefe, realizado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) em parceria com a Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento (Funcap).

Segundo o professor, coordenador do programa em 2020 e 2021 e atualmente pesquisador no eixo Meio Ambiente, o projeto é focado em resiliência à mudança do clima no estado e busca produzir documentos que devem nortear políticas de enfrentamento. Um desses produtos é o inventário das emissões dos gases do efeito estufa no estado, o qual deve fornecer uma base para mitigar e reduzir os gases até 2030 e criar outro plano, de biodiversidade e adaptação.

“A gente precisa saber quais setores da economia e em que nós estamos emitindo os gases para poder reduzir. Todos os países e regiões vão ter que se comprometer nessa redução das emissões dos gases do efeito estufa.”

De acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), realizado pelo Observatório do Clima, o Ceará foi o sétimo estado brasileiro com menor emissão de gases do efeito estufa em 2021. Ao todo, foram 28 milhões de toneladas de dióxido de carbono e equivalentes, produzidos nas seguintes atividades:

Fonte: G1 Ceará