Cecília Noêmi se torna primeira estudante com síndrome de Down formada pela Urca, no Cariri
A formatura de Cecília Noêmi, realizada neste mês de março, representa um marco importante para a educação inclusiva no Ceará. Aos 33 anos, ela concluiu o curso de Artes Visuais pela Universidade Regional do Cariri (Urca), tornando-se a primeira estudante com síndrome de Down a alcançar esse feito na instituição. A trajetória é resultado de dedicação contínua, aliada ao apoio da família e ao acompanhamento oferecido pela universidade.
O interesse pelo ensino superior surgiu ainda na juventude, quando Cecília começou a se envolver com atividades artísticas, especialmente pintura e dança. A graduação permitiu que ela aprofundasse essa conexão com as artes, desenvolvendo habilidades e expressando sua criatividade por meio de diferentes linguagens visuais.
De acordo com a mãe, Socorro Lima, Cecília contou desde cedo com o suporte de profissionais como terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e fonoaudiólogos. Esse acompanhamento contribuiu para o desenvolvimento da estudante, que cresceu no município do Crato. Parte do resultado desse processo pode ser visto dentro de casa, onde pinturas produzidas por Cecília durante o curso estão expostas e refletem elementos do seu cotidiano e da convivência familiar.
Dados do Censo Demográfico de 2022, divulgados em 2025 pelo IBGE, evidenciam os desafios enfrentados por pessoas com deficiência no Brasil. Mais da metade dessa população com 25 anos ou mais não concluiu o Ensino Fundamental. No Ensino Superior, apenas uma pequena parcela consegue se formar, o que torna a conquista de Cecília ainda mais significativa.
O ingresso na universidade ocorreu por meio das vagas reservadas para pessoas com deficiência, previstas na Lei de Cotas. Para a família, essa política tem papel essencial na ampliação do acesso à educação, reduzindo desigualdades históricas.
Durante toda a graduação, Cecília recebeu acompanhamento do Núcleo de Acessibilidade da Urca, que oferece suporte especializado aos estudantes. A equipe multidisciplinar atua tanto no acolhimento quanto na orientação de professores, contribuindo para a adaptação das práticas pedagógicas e promovendo um ambiente mais inclusivo.
A vice-reitora Socorro Vieira destacou que a conquista simboliza um avanço coletivo. Segundo ela, a presença de estudantes com deficiência no ensino superior reforça a importância de garantir acesso, permanência e condições adequadas de aprendizagem para todos.
A história de Cecília também é celebrada pela família como um exemplo de persistência e incentivo. Para o pai, Jorge Carvalho, o momento reforça a importância de acreditar no potencial das pessoas com deficiência e apoiar seus caminhos na educação e na vida profissional.
Fonte: G1

