Chefe do CV é condenado a 42 anos de prisão por mandar matar mulher com transtorno mental

O Tribunal do Júri condenou o chefe da facção criminosa Comando Vermelho (CV), no bairro Monte Castelo, Rafael Ferreira de Castro, o ‘Boquinha’, por ordenar o assassinato de Tarciana Moreira do Vale, de 37 anos.

De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE), Rafael deve cumprir pena de 42 anos e cinco meses de prisão, em regime inicialmente fechado, conforme a decisão proferida nessa quarta-feira (11), pela 6ª Vara do Júri de Fortaleza.

A mulher foi morta a tiros dentro de um ônibus, em maio do ano passado, na Avenida Sargento Hermínio. Dois adolescentes foram os executores da ação a mando de ‘Boquinha’. A reportagem não localizou a defesa do réu.

Quando o acusado foi denunciado, o Diário do Nordeste noticiou que o motivo do crime seria que a vítima, que sofria de transtornos mentais e fazia uso de substâncias entorpecentes, tinha crises constantes, ficava agressiva e fazia com a Polícia Militar do Ceará (PMCE) fosse acionada para o bairro, atrapalhando as atividades ilícitas do grupo.

O MP divulgou que o júri reconheceu a autoria e as qualificadoras do homicídio, além dos crimes de corrupção de menores — praticado duas vezes — e de integrar organização criminosa.
“Conforme sustentado pelo Ministério Público em plenário, o homicídio ocorreu por imposição da facção criminosa. A pena definitiva foi fixada em 42 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado, além do pagamento de 257 dias-multa”, disse o órgão acusatório.

VÍTIMA VINHA SENDO AMEAÇADA
Segundo a denúncia, a frequência de policiais militares na área sob domínio do Comando Vermelho para atender a ocorrências geradas pelas crises de Tarciana passou a incomodar ‘Boquinha”. Rafael Ferreira, que já havia sido preso por tráfico de drogas em 2019, mas que estava em liberdade, iniciou uma série de ameaças de morte contra Tarciana.

Em uma das ocasiões, ele chutou o portão da casa da mãe dela e ordenou que ela saísse do bairro, o que não aconteceu.

Temendo ser morta, Tarciana registrou um Boletim de Ocorrência (B.O.) ainda em 2024.

A atitude foi interpretada por Rafael como uma afronta. No dia 2 de maio deste ano, por volta das 13h, Tarciana estava embarcando em um ônibus da linha 220 (Antônio Bezerra/Sargento Hermínio/Centro), na Avenida Sargento Hermínio, bairro Monte Castelo, quando foi surpreendida por dois atiradores.

A vítima foi atingida por quatro tiros, um deles na cabeça. Após o crime, uma das bicicletas foi abandonada, e os adolescentes fugiram juntos em uma única bicicleta, sendo flagrados por câmeras de segurança nas proximidades.

MORTE COMEMORADA
Os policiais iniciaram as buscas e localizaram os envolvidos “comemorando” o crime. Rafael Ferreira e os dois adolescentes foram encontrados juntos, confraternizando em uma residência de frente para o mar no Pecém, na cidade de São Gonçalo do Amarante.

A prisão em flagrante de Rafael foi homologada e convertida em preventiva.

Os adolescentes tiveram um Ato Infracional análogo ao crime de homicídio lavrado contra eles. Câmeras do circuito interno do ônibus registraram o ataque, e as bicicletas e roupas utilizadas no crime foram apreendidas.

O inquérito foi instaurado pela 4ª Delegacia do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) e resultou no indiciamento de ‘Boquinha’.

Em decisão de 10 de julho de 2025, o Juízo da 6ª Vara do Júri de Fortaleza, que atua exclusivamente em processos de crimes dolosos contra à vida praticados no contexto das organizações criminosas, pronunciou Rafael Ferreira de Castro.

Fonte: Diário do Nordeste