Ciro Nogueira sob investigação da PF por suposto esquema no Banco Master
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), figura proeminente na política nacional e ex-ministro da Casa Civil, tornou-se alvo de uma nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (7.mai.2026). A investigação apura um complexo esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo o parlamentar e o Banco Master. A notícia surge em contraste com o cenário de junho de 2025, quando Flávio Bolsonaro (PL) chegou a apontar Nogueira como um nome com “bom perfil” para ser vice em uma chapa presidencial.
As declarações de Flávio Bolsonaro, feitas em entrevista à Folha de S.Paulo em 14 de junho de 2025, destacavam a força regional e partidária de Ciro Nogueira, além de sua lealdade ao então presidente Jair Bolsonaro. Na época, Flávio considerava o senador piauiense o candidato ideal para a vice-presidência, mesmo com seu pai já inelegível, e antes da prisão de Jair Bolsonaro, que ocorreria cinco meses depois, em novembro de 2025. O cenário político, que antes via Ciro Nogueira como um potencial aliado estratégico, agora o coloca no centro de uma séria apuração judicial.
Ciro Nogueira: De Cotado a Vice a Alvo da PF
Em 2025, a menção de Flávio Bolsonaro a Ciro Nogueira como um possível vice para a chapa presidencial de seu pai, Jair Bolsonaro, ressaltava a influência e o capital político do senador. Flávio elogiou a atuação de Ciro como ministro da Casa Civil, sua origem nordestina e a capacidade de articulação partidária. Ele afirmou que Ciro possuía “todas as credenciais” para a posição, destacando sua lealdade e a relevância de seu partido no cenário nacional.
Apesar do reconhecimento político, a situação de Ciro Nogueira mudou drasticamente. A Operação Compliance Zero, que o coloca sob escrutínio da Polícia Federal, investiga uma série de condutas que, segundo as autoridades, extrapolam as relações políticas e de amizade, apontando para um arranjo funcional de benefícios mútuos.
Entenda a Operação Compliance Zero e as Acusações
A Polícia Federal investiga um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político que teria como protagonistas o senador Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master. A acusação central é que Vorcaro teria concedido vantagens econômicas ao senador em troca de sua atuação favorável no Congresso Nacional, beneficiando os interesses do grupo econômico do banco.
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que autorizou a nova fase da operação, reforça a gravidade das evidências. Segundo o ministro, os elementos reunidos indicam um “arranjo funcional e instrumentalmente orientado para obtenção de benefícios mútuos, extrapolando relações de mera amizade”. A investigação detalha quatro frentes principais de atuação do suposto esquema:
- Atuação legislativa em favor do Banco Master;
- Pagamentos mensais e benefícios pessoais;
- Operação societária considerada irregular;
- Uso de empresas para ocultar movimentações financeiras.
A Emenda do FGC: O Ponto Central da Trama
Um dos episódios mais emblemáticos citados pela Polícia Federal na investigação envolve uma emenda apresentada por Ciro Nogueira à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65 de 2023. Essa emenda tinha como objetivo aumentar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante, uma medida que poderia trazer benefícios significativos para instituições financeiras.
A apuração da PF sugere que a elaboração e tramitação dessa emenda não seguiram os trâmites convencionais. Segundo a investigação, o texto da emenda foi:
- Elaborado pela assessoria do Banco Master;
- Encaminhado por André Kruschewsky Lima a Daniel Vorcaro;
- Impresso e entregue em envelope endereçado a “Ciro”;
- Entregue na residência do senador, em endereço coincidente com seus dados fiscais.
A Polícia Federal afirma que o conteúdo apresentado no Senado reproduziu “de forma integral” a versão preparada pelo banco. Mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro, reproduzidas na decisão judicial, indicam que a emenda “saiu exatamente como mandei”, reforçando a tese de influência direta do banco na legislação. Internamente, integrantes do banco teriam avaliado que a mudança poderia “sextuplicar” os benefícios, sugerindo o alto interesse na aprovação da medida. Mais detalhes sobre a investigação podem ser encontrados em Poder360.
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