Confiança institucional: polícias lideram ranking, Congresso amarga último lugar em pesquisa Atlasintel

Uma nova pesquisa da AtlasIntel, contratada pelo Estadão e divulgada recentemente, revela um panorama complexo e por vezes contraditório sobre a confiança dos brasileiros em suas instituições. Enquanto as forças policiais se destacam no topo do ranking, com altos índices de credibilidade, o Congresso Nacional figura na lanterna, evidenciando um profundo descompasso entre a sociedade e sua representação política. O levantamento, realizado entre 17 e 21 de setembro de 2026, com 1.852 respondentes adultos em todo o Brasil, oferece um retrato detalhado das percepções públicas, com margem de erro de ±2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

Os dados apontam para uma valorização das instituições mais próximas do cotidiano do cidadão, ao mesmo tempo em que sinalizam uma crise de credibilidade em pilares da democracia. Essa dicotomia convida a uma reflexão aprofundada sobre o papel de cada órgão e a forma como a população os percebe, especialmente em um cenário de constantes desafios sociais e políticos no país.

O paradoxo da confiança nas forças policiais

A pesquisa AtlasIntel destaca um dado que merece atenção especial: as polícias brasileiras desfrutam de um nível de confiança notavelmente alto. A Polícia Civil lidera entre todas as instituições avaliadas, com 60% de aprovação. Logo em seguida, a Polícia Federal registra 58% de confiança, e a Polícia Militar alcança 56%. A Igreja Católica também se posiciona bem, com 50% dos brasileiros afirmando confiar na instituição.

Esse resultado adquire ainda mais significado quando confrontado com a realidade da segurança pública, que figura entre as maiores preocupações da população. Existe uma aparente contradição: embora as polícias sejam frequentemente alvo de escrutínio e críticas, especialmente em casos de excessos, a percepção geral de confiança permanece robusta. Isso sugere que, apesar dos desafios e das controvérsias, o brasileiro reconhece o papel essencial desses profissionais na proteção e no atendimento de ocorrências diárias, muitas vezes em situações de alto risco.

A crise de credibilidade no Congresso Nacional

No extremo oposto do espectro da confiança, o Congresso Nacional enfrenta um cenário dramático. Apenas 8% dos brasileiros afirmam confiar na instituição, enquanto impressionantes 81% declaram não confiar. Este é, de longe, o menor índice entre todas as entidades pesquisadas, configurando um verdadeiro drama democrático.

O Parlamento, por sua natureza, é a instituição que materializa a representação política da sociedade. A baixa credibilidade neste órgão, especialmente em um período de renovação eleitoral, levanta questões cruciais sobre a conexão entre os cidadãos e seus representantes. A distância percebida entre o eleitor e o Congresso não se resolve apenas com a troca de nomes, mas exige uma profunda revisão de funcionamento, transparência e capacidade de a instituição fazer sentido na vida cotidiana da população.

Outras instituições sob o olhar da população

O levantamento da AtlasIntel também avaliou outras importantes instituições. O Governo Federal registra 48% de confiança, com um percentual idêntico de desconfiança. O Banco Central aparece com 47% de confiança, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem 43%, superado por 46% de desconfiança. As Prefeituras e os Governos Estaduais também apresentam mais desconfiança do que confiança, com 40% e 39% de aprovação, respectivamente.

As Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica) obtêm 38% de confiança, e o Supremo Tribunal Federal (STF), 34%. Um dado que igualmente chama a atenção é o das Igrejas Evangélicas, que registram 33% de confiança e 50% de desconfiança. Este resultado é particularmente interessante, pois, embora a presença evangélica seja ampla na sociedade, a pesquisa distingue a confiança institucional da identidade ou fé religiosa, mostrando que uma não se traduz automaticamente na outra.

A importância do reconhecimento e do debate público

A pesquisa AtlasIntel oferece um retrato multifacetado da confiança institucional no Brasil. As instituições mais próximas e atuantes no dia a dia do cidadão, como as polícias, conseguem preservar uma reserva significativa de credibilidade. Em contrapartida, os pilares do poder político, como o Congresso, enfrentam uma profunda crise de legitimidade.

Este cenário não sugere uma polícia imune à crítica, mas sim a necessidade de um debate público mais equilibrado. É fundamental que a sociedade seja capaz de cobrar responsabilidade quando necessário, mas também de reconhecer e valorizar o trabalho essencial daqueles que cumprem corretamente sua missão. Resgatar a autoestima das forças de segurança e reconectar o cidadão às instituições políticas são desafios cruciais para o fortalecimento da democracia e a construção de um futuro mais seguro e justo para todos.

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