Governo de São Paulo refuta elo entre Credcesta e Kassab em delação rejeitada
O Governo de São Paulo negou categoricamente a existência de irregularidades ou favorecimento no credenciamento da PKL One Participações, operadora do cartão Credcesta, para atuar com crédito consignado no Estado. A manifestação oficial surge após o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, alegar, em uma proposta de delação premiada que foi rejeitada, que doações para campanhas eleitorais seriam parte de um acordo com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, visando a permanência do Credcesta na gestão paulista.
As informações, divulgadas em 3 de setembro de 2026 pelo UOL, apontam que os repasses, que totalizariam R$ 5 milhões, seriam “contrapartidas financeiras” de um suposto “ajuste indevido” com Kassab. As acusações foram veementemente negadas pelo ex-secretário de Governo de São Paulo e pelo governador Tarcísio de Freitas, que afirmam não ter participado de negociações com Vorcaro. A proposta de delação foi recusada pelas autoridades por falta de ineditismo e elementos de corroboração.
Acusações de Vorcaro e o suposto acordo
Daniel Vorcaro, em sua proposta de delação, detalhou que as doações às campanhas do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em 2022, estariam ligadas a um esquema para assegurar a continuidade do Credcesta no governo paulista. Segundo o empresário, Gilberto Kassab teria mediado o acordo junto ao futuro governo de Tarcísio.
O Credcesta é um cartão de crédito consignado voltado para servidores públicos, operado pela PKL One Participações, empresa com vínculos a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro. Na versão apresentada pelo fundador do Banco Master, Lima seria o responsável pelas articulações para a expansão do produto e teria buscado garantir sua permanência em São Paulo após as eleições de 2022.
A defesa do Governo de São Paulo sobre o Credcesta
Em resposta às alegações, o Governo de São Paulo enfatizou que a PKL One Participações foi credenciada em 27 de maio de 2022, ainda durante a gestão anterior, antes da posse de Tarcísio de Freitas. A administração estadual negou qualquer tratamento diferenciado ou contratação da empresa durante o atual governo, refutando a ideia de favorecimento.
O credenciamento de instituições consignatárias, conforme explicado pelo governo, é um procedimento regulamentado por critérios objetivos e não implica repasse de recursos públicos. A gestão também esclareceu que o Decreto nº 69.126 de 2024, que ampliou as instituições habilitadas a operar crédito consignado no Estado, não possui qualquer relação com a PKL, que foi credenciada por via distinta em 2022.
Cronologia e participação de mercado da PKL
O Governo de São Paulo destacou que a PKL detinha uma participação de 3,4% no mercado de consignado paulista, um percentual modesto em comparação com grandes operadores como o Banco do Brasil, que ultrapassa 50% do share. A administração ressaltou que, antes de sua liquidação pelo Banco Central, a participação da PKL era de 5,26%.
Ainda segundo o governo, novos contratos com a PKL foram suspensos em 19 de fevereiro de 2026, imediatamente após a liquidação da empresa pelo Banco Central. Os contratos já existentes foram mantidos, seguindo orientação da Procuradoria Geral do Estado (PGE), uma medida legal para proteger os servidores que já haviam contratado os serviços. A gestão reforça que sua atuação seguiu os princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade administrativa em toda a linha do tempo.
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