Inflação da construção civil dispara 1,19% em junho
O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) registrou uma aceleração significativa em junho, atingindo 1,19%. O dado, divulgado pelo IBGE, mostra um salto considerável em relação à alta de 0,36% observada em maio, representando um aumento de 0,83 ponto percentual. Este é o maior índice mensal desde agosto de 2022, desconsiderando o resultado de janeiro deste ano, que foi influenciado pela reoneração da folha de pagamento do setor.
Com essa elevação, o custo nacional da construção por metro quadrado passou de R$ 1.953,08 em maio para R$ 1.976,37 em junho. A tendência de alta reflete pressões tanto nos insumos quanto nos salários, impactando diretamente o planejamento e a execução de projetos em todo o país.
Aumento impulsionado por materiais e mão de obra
A análise detalhada do Sinapi revela que a aceleração em junho foi impulsionada por ambas as parcelas que compõem o índice. A parcela dos materiais subiu 0,92% no mês, marcando a maior taxa do ano e superando os 0,53% registrados em maio. Esse movimento indica uma pressão crescente nos preços dos insumos essenciais para o setor.
Contudo, o maior destaque ficou com a mão de obra, que avançou 1,55% em junho, também a maior alta de 2026. Esse incremento foi fortemente influenciado por diversos acordos coletivos firmados no período, que resultaram em reajustes salariais. Em maio, a variação da mão de obra havia sido de apenas 0,14%, evidenciando a intensidade do aumento recente. Do custo total por metro quadrado em junho, R$ 1.114,74 correspondem aos materiais e R$ 861,63 à mão de obra.
Acumulados do ano e últimos doze meses
No acumulado dos últimos 12 meses, o Índice Nacional da Construção Civil atingiu 7,26%, superando os 6,93% registrados no período imediatamente anterior. Essa trajetória ascendente sinaliza um cenário de custos elevados que se consolida ao longo do tempo, exigindo atenção contínua dos agentes do mercado.
No que tange ao primeiro semestre do ano, os custos com materiais acumulam um avanço de 3,39%. Já a mão de obra, com os recentes reajustes, registra uma alta mais expressiva de 5,96% no mesmo período. Em uma perspectiva de 12 meses, os materiais acumulam elevação de 5,54%, enquanto a mão de obra apresenta um aumento ainda mais acentuado de 9,59%.
Variações regionais e estaduais na construção civil
A Região Nordeste se destacou com a maior variação mensal entre as cinco regiões do país, registrando uma alta de 1,45% em junho. Esse resultado foi significativamente influenciado pelos reajustes salariais observados em estados como Ceará e Pernambuco, que impulsionaram os custos locais.
As demais regiões também apresentaram variações, embora em menor intensidade: Norte (0,58%), Sudeste (1,33%), Sul (0,86%) e Centro-Oeste (0,91%). Entre os estados, Pernambuco liderou com a maior alta em junho, alcançando 2,98%, impulsionado tanto pelos reajustes das categorias profissionais quanto pela elevação dos materiais. Na sequência, aparecem Rondônia (2,63%), Ceará (2,52%) e São Paulo (2,34%), evidenciando a heterogeneidade dos impactos dos custos da construção civil pelo Brasil.
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