Delegado que agrediu mulher em Aurora é preso por atrapalhar investigação e manipular testemunhas

O delegado afastado Paulo Hernesto Pereira Tavares foi preso novamente nesta sexta-feira (24), desta vez por atrapalhar investigações e manipular depoimentos de testemunhas no caso da agressão contra uma mulher após briga de trânsito em Aurora, segundo o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE).  A medida foi decretada pela Justiça após novo pedido do órgão.

A prisão foi feita nesta tarde por equipes do Departamento de Polícia Judiciária de Fortaleza. Hernesto estava no bairro Lagoa Redonda, conforme nota da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS).

Em nota, “a Polícia Civil reafirma que repudia veementemente todos os atos envolvendo o servidor, que não condizem com as diretrizes da instituição. Por isso, a PCCE recolheu, logo após os fatos, o distintivo, as armas e a carteira funcional do delegado, que encontra-se afastado de suas funções laborais. O servidor está respondendo, ainda, a um procedimento disciplinar, na seara administrativa, junto à Assessoria de Apuração de Transgressões Disciplinares da PCCE”.

Ainda de acordo com o órgão, há colaboração com a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), para que o caso seja rigorosamente apurado, e o servidor seja punido conforme a lei e os parâmetros disciplinares da CGD”.

MÚLTIPLOS CRIMES

Paulo Hernesto é investigado por crime de trânsito, ameaça e lesão corporal e estava descumprindo medidas cautelares impostas após suas últimas duas solturas.

Ele estaria assediando testemunhas e coagindo quem testemunhava nos autos: “As tentativas de manipulação das testemunhas foram constatadas em áudios de WhatsApp. No requerimento pela prisão, por exemplo, ele interferiu na lavratura de atos oficiais de condução do flagrante. Diante dos fatos, o MP estadual representou pela prisão preventiva do investigado e pela suspensão integral de todos os acessos do agente de segurança aos sistemas policiais”.

Desde a terça-feira (21), a Polícia Civil do Ceará (PC-CE) já havia comunicado ao Judiciário o descumprimento das medidas cautelares, que são:

  • Proibição de se ausentar da Comarca que reside por mais de 8 dias;
  • Recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana;
  • Proibição de manter contato com vítimas, seus familiares e testemunhas;
  • Não frequentar bares, festas ou casas noturnas;
  • Proibição de atuar em qualquer investigação criminal em que configure, como investigados, as vítimas, as testemunhas ou policiais militares que participaram da ocorrência em que ele foi preso;
  • Manter endereço e contato telefônico atualizados e atender a todas as convocações da Justiça.

No último dia 12 de novembro, o delegado foi preso em flagrante somente pelo crime de embriaguez ao volante, mas ele foi flagrado em vídeo batendo em uma mulher após uma discussão de trânsito. O homem foi solto, mas horas depois, no mesmo dia, o MPCE representou pela prisão preventiva por conta da gravidade dos fatos, e a Justiça acatou.

No entanto, no dia 13, ele foi solto novamente em audiência de custódia.

O delegado afastado fez diversas vítimas. Pelo menos três pessoas foram perseguidos por ele via pública e ameaçadas em suas integridades física e psicológicas.

“Além disso, houve ameaças de morte e uma suposta tentativa de atropelamento cujo dolo ainda depende de apuração. Um vídeo mostra ainda o servidor urinando em uma viatura da Polícia Civil, em sinal de descaso com a instituição e com a Justiça. O investigado também desferiu xingamentos à mulher agredida fisicamente e a advogados das vítimas, intimidou funcionários do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU) e desacatou um tenente do Raio”, pondera o MPCE.

Fonte: Diário do Nordeste

 

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