Denúncias de abusos e agulhas marcam passado de mulher que fingiu ser criança
A história de Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, que ganhou repercussão nacional ao fingir ter 12 anos para ser adotada em Santa Catarina, revela um passado marcado por graves acusações e mistérios. Anos antes de se envolver no episódio catarinense, em 2010, Amanda Maria procurou a Polícia Civil do Ceará para denunciar seus próprios pais por supostos abusos sexuais e pela inserção de agulhas em seu corpo durante rituais de “magia negra”.
As alegações, que vieram à tona durante a investigação de seu caso mais recente, lançam uma nova luz sobre a complexa trajetória da mulher. O inquérito aberto na época, que incluiu depoimentos de vizinhos e exames médicos, expôs uma trama de denúncias familiares e controvérsias que desafiaram as autoridades cearenses.
Denúncias chocantes na delegacia de Fortaleza
Em 2010, Amanda Maria Souza de Oliveira, então se apresentando como uma menina de 12 anos, chegou à Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza acompanhada por um adulto. Na ocasião, ela relatou à defensora pública Yamara Alves Lavor Viana, que atuava como delegada adjunta à época, uma série de violências que, segundo seu depoimento, eram cometidas pelos pais.
As denúncias eram de extrema gravidade, incluindo lesões físicas e submissão a rituais de “magia negra”. Amanda Maria também afirmou que seu pai a forçava a ter relações sexuais com outros homens, adicionando uma camada ainda mais perturbadora às suas alegações. A Polícia Civil do Ceará iniciou imediatamente uma investigação para apurar os fatos, ouvindo a vizinhança do bairro onde a família residia em Fortaleza.
Exames revelam objetos estranhos no corpo
Um dos aspectos mais chocantes da denúncia de Amanda Maria foi a alegação de que seus pais inseriam chaves e agulhas em seu corpo. Para verificar a veracidade dessa afirmação, foi realizado um exame de raio-x na época. O resultado do exame confirmou a presença de agulhas e uma chave no corpo da denunciante, corroborando parte de seu relato.
A descoberta desses objetos levantou sérias questões sobre a natureza dos supostos rituais e a extensão dos abusos. A confirmação médica adicionou peso às acusações, intensificando a complexidade da investigação policial que tentava desvendar a verdade por trás das declarações da jovem.
Contradições e laudos psiquiátricos em meio à investigação
Durante o curso do inquérito, os pais de Amanda Maria foram convocados para depor. Eles negaram veementemente as acusações da filha, apresentando uma versão dos fatos que contradizia diretamente o relato dela. A principal contestação dos pais era em relação à idade de Amanda.
Os pais apresentaram uma certidão de nascimento que indicava que Amanda Maria tinha, na verdade, 22 anos em 2010, e não 12, como ela afirmava. Amanda, por sua vez, rebateu a documentação, alegando que a certidão havia sido falsificada pelos pais com o intuito de forçá-la a participar de “programas sexuais”. Além disso, os pais também apresentaram um laudo médico que apontava que a filha sofreria de problemas psiquiátricos, introduzindo um novo elemento de dúvida e complexidade ao caso, conforme relatou a ex-delegada Yamara Alves Lavor Viana.
A investigação enfrentou o desafio de conciliar depoimentos conflitantes e evidências médicas, buscando discernir a verdade em meio a acusações tão graves e versões tão distintas. A complexidade do caso de Amanda Maria Souza de Oliveira, que já chamava a atenção em 2010, ganha agora um novo contorno ao ser revisitada à luz de seus acontecimentos mais recentes, revelando uma vida marcada por controvérsias e um passado ainda a ser totalmente compreendido.
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