Tragédia em São Paulo: desabamento de prédio na Penha eleva número de mortos para três

A zona Leste de São Paulo foi palco de uma tragédia que chocou a capital, com o desabamento de um prédio em construção sobre uma residência na rua Tequici, bairro da Penha. O incidente, ocorrido na madrugada de sábado (12), teve seu número de vítimas fatais atualizado para três, após a localização de um homem em meio aos escombros no final da noite. A comunidade local e as equipes de resgate permanecem em alerta máximo diante da dimensão dos estragos.

As primeiras vítimas identificadas eram duas mulheres, uma delas em estado de gravidez, o que intensifica o drama da situação. Com a confirmação da terceira morte, a esperança se volta agora para a localização de três pessoas que ainda estão desaparecidas: duas mulheres e uma criança. As operações de busca e salvamento se estenderam pela madrugada de domingo (13), em um esforço contínuo para encontrar possíveis sobreviventes.

Mobilização intensa em busca de sobreviventes

Desde as primeiras horas após o desabamento, o Corpo de Bombeiros de São Paulo desencadeou uma robusta operação de resgate. Um contingente de 70 homens, apoiados por 22 viaturas e um cão de busca e salvamento, trabalhou incansavelmente no local. A complexidade da cena exigiu o uso de maquinário pesado para remover grandes peças da estrutura desabada, garantindo acesso seguro às áreas de busca e aumentando as chances de encontrar as vítimas.

A ação rápida das equipes permitiu o resgate de duas pessoas – um homem e uma criança – que foram prontamente encaminhadas ao Pronto Socorro do Tatuapé para atendimento médico. A corporação trabalha com a estimativa de que um total de oito pessoas foram atingidas pelo colapso, o que reforça a urgência e a dedicação dos esforços de salvamento.

Histórico de irregularidades: a construção sob questionamento

O prédio que desabou já era alvo de controvérsias e ações judiciais, conforme informações divulgadas pela Prefeitura de São Paulo. Em 2021, uma ação judicial foi movida para solicitar a demolição de uma construção irregular no mesmo local. A Subprefeitura da Penha havia realizado diversas fiscalizações, emitido uma ordem de interdição e aplicado multas, uma delas no valor de R$ 119 mil, devido ao descumprimento das normas.

Naquela época, uma liminar concedida pela Justiça determinou a paralisação das obras, uma vez que o alvará solicitado em 2019 pelo responsável havia sido indeferido pelo município. Contudo, em 2022, um novo projeto foi apresentado, e um alvará para execução de uma nova edificação foi emitido em agosto de 2023, com a condição expressa de que a estrutura anterior fosse demolida. Este histórico levanta sérios questionamentos sobre a fiscalização e o cumprimento das determinações legais.

Investigação em curso: apuração de responsabilidades

A situação se agrava com a revelação de que a demolição exigida em 2021, para a construção do novo prédio, não foi cumprida. Em fevereiro de 2024, uma vistoria realizada por uma servidora da Subprefeitura atestou que a demolição havia sido efetuada, levando à extinção do processo judicial. No momento do desabamento, a obra possuía um Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova vigente, o que torna a discrepância entre o laudo e a realidade ainda mais alarmante.

Diante dos fatos, autoridades policiais iniciaram uma investigação rigorosa para apurar as responsabilidades pelo desabamento. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) está encarregada da apuração da vistoria realizada em 2024, buscando entender como a obra, com um histórico de irregularidades e uma exigência de demolição não cumprida, pôde prosseguir. A Defesa Civil, por sua vez, vistoriou o local e interditou três residências vizinhas à obra, como medida de segurança. O Tribunal de Justiça de São Paulo foi contatado para esclarecimentos, mas ainda não se manifestou.

Você encontra mais notícias em nosso site www.sobralonline.com.br e redes sociais. Siga-nos em @SobralOnline para ficar por dentro das últimas atualizações.