Desembargadora do TJPA protagoniza embate acalorado em sessão de julgamento

Uma sessão de julgamento na 12ª Seção de Direito Penal do Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) foi palco de um desentendimento notável entre magistrados na última segunda-feira, 27 de abril de 2026. A desembargadora Eva do Amaral Coelho, conhecida por declarações anteriores que geraram controvérsia, protagonizou um embate verbal com o desembargador Pedro Pinheiro, chamando a atenção para a dinâmica interna do judiciário paraense.

O incidente ocorreu durante a análise de um pedido de habeas corpus, em um momento que expôs as tensões e a intensidade dos debates que permeiam as decisões judiciais. A postura da desembargadora reacendeu discussões sobre a conduta de magistrados em plenário e a forma como as divergências são gerenciadas em um ambiente de tamanha relevância pública.

Discussão acalorada em sessão do TJPA

O ponto central do desentendimento foi o julgamento de um habeas corpus no qual a desembargadora Eva do Amaral Coelho atuava como relatora. O caso envolvia um homem detido sob a acusação de associação com a facção criminosa Comando Vermelho. A magistrada havia votado pelo relaxamento da prisão, argumentando que os motivos apresentados para a detenção não eram suficientes para manter o suspeito encarcerado.

A base para a prisão, conforme o processo, era a descoberta do nome do acusado em um aparelho celular pertencente a uma pessoa com ligações comprovadas com a referida facção. A complexidade do caso e a gravidade das acusações exigiam uma análise minuciosa dos fatos e das provas, o que levou a um debate intenso entre os membros da corte.

O cerne do habeas corpus em debate

Após a apresentação do voto da relatora, o desembargador Pedro Pinheiro manifestou uma dúvida crucial sobre a presença de entorpecentes no caso. Ele questionou se a prisão se dava exclusivamente pela menção do nome do réu ou se havia envolvimento com drogas, buscando clareza sobre os fundamentos da detenção. “Eu quero saber se ele entrou só por causa do nome dele. Havia droga no meio?”, indagou o desembargador.

A resposta da desembargadora Eva do Amaral Coelho foi direta e carregada de impaciência. Ela afirmou ter esclarecido a questão múltiplas vezes. “Eu já esclareci três vezes, doutor, que não tem droga no meio. É só prestar atenção”, rebateu a magistrada, em um tom que denotava sua frustração com a repetição da pergunta. Este momento de tensão evidenciou a pressão e o rigor dos procedimentos judiciais.

Histórico de declarações polêmicas da magistrada

O episódio recente não é o primeiro em que a desembargadora Eva do Amaral Coelho se vê no centro de uma polêmica. Anteriormente, a magistrada ganhou destaque na mídia ao reclamar publicamente do corte de benefícios e adicionais salariais, conhecidos como “penduricalhos”. Na ocasião, ela chegou a declarar que, com tais cortes, os juízes entrariam para “o rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”.

Essa declaração gerou um amplo debate sobre as condições de trabalho e as remunerações no judiciário, além de provocar reações diversas na opinião pública e entre seus pares. O histórico de posicionamentos firmes e, por vezes, controversos, da desembargadora Eva do Amaral Coelho, contribui para a percepção de uma personalidade forte e vocal dentro do Tribunal de Justiça do Pará.

Desfecho e repercussão do caso

Apesar da discussão acalorada, a desembargadora Eva do Amaral Coelho manteve seu voto pela concessão da liberdade ao réu. O debate sobre o habeas corpus se estendeu por mais alguns minutos, refletindo a complexidade e a divergência de opiniões entre os julgadores. Ao final da sessão, a desembargadora Wánia Lúcia Silveira solicitou vista do processo, adiando a decisão final sobre o caso.

Incidentes como este, embora não sejam incomuns em ambientes de alta pressão como o judiciário, ressaltam a importância da comunicação clara e do respeito mútuo entre os membros de um tribunal, especialmente em sessões públicas. A repercussão de tais embates pode influenciar a percepção da sociedade sobre a imparcialidade e a serenidade da justiça.

Para mais notícias e atualizações sobre o cenário político e judiciário, acesse nosso site www.sobralonline.com.br e siga nossas redes sociais para ficar por dentro de tudo que acontece. Convidamos você a nos seguir em @SobralOnline.