Dinossauro com penas é descoberto na China; pequeno predador de cerca de 57 centímetros de comprimento tinha penas longas
Um fóssil preservado de um dinossauro com penas foi descoberto no nordeste da China e revelou mecanismos anatômicos de voo que evoluíram de forma independente em diferentes linhagens pré-históricas.
O estudo, publicado na revista Nature Communications, analisou a espécie batizada de Norellraptor barsboldi e demonstrou que, embora os microraptoríneos e os ancestrais das aves modernas compartilhem estruturas físicas ligadas ao voo, essas características surgiram em ordens temporais completamente distintas em cada grupo, refutando a ideia de um único padrão evolutivo herdado de um ancestral comum.
O animal era um pequeno predador de cerca de 57 centímetros de comprimento, pertencente ao grupo dos microraptoríneos. O fóssil está quase completo e preserva marcas detalhadas de penas longas tanto nos braços quanto nas pernas, caracterizando o padrão de “quatro asas”.
Os pesquisadores fizeram lâminas finas dos ossos longos para examinar a microestrutura interna (histologia) do Norellraptor.
Também foi descoberto que o indivíduo levou pelo menos três anos para atingir a maturidade antes de morrer. Esse crescimento gradual e prolongado diferencia-se do ritmo das aves modernas, que crescem de forma extremamente rápida, mostrando que a fisiologia desse grupo ainda mantinha características de dinossauros não aviários.
Mapeamento e comparação anatômica
A equipe realizou uma análise filogenética extensa comparando 194 traços anatômicos ligados ao voo em diversos dinossauros alados e aves primitivas.
Identificaram que 57 desses traços apareciam de forma idêntica tanto nos microraptoríneos quanto na linhagem das aves (Avialae). Entre eles estão o osso do peito (esterno) ampliado e ossificado para suportar músculos peitorais fortes, a fusão dos ossos do pulso/mão e o encurtamento dos dedos.
A grande revelação do artigo ocorre ao analisar a linha do tempo evolutiva. Embora microraptoríneos e aves tenham chegado a estruturas corporais parecidas, eles seguiram caminhos inversos
O encurtamento dos dedos das mãos ocorreu primeiro na história do grupo. A fusão do pulso e o aumento do osso do peito só se desenvolveram em etapas posteriores.
A fusão do pulso e o fortalecimento do peito aconteceram primeiro, enquanto o encurtamento dos dedos das mãos ocorreu muito mais tarde.
O estudo conclui que não existiu um “pacote genético/anatômico único” para o voo herdado de um ancestral comum. O “aparelho de voo” foi montado de forma independente por pressões seletivas diferentes em cada grupo (evolução convergente), provando que o voo ou o planeio com penas surgiu em várias “tentativas” bem-sucedidas durante a Era dos Dinossauros.
Fonte:CNN Brasil

