Falha na dragagem compromete canal de acesso e afeta portos de Itajaí e Navegantes.

O canal de acesso aos portos de Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina, enfrenta um desafio logístico crítico após registrar uma redução de cerca de 30 centímetros em sua profundidade operacional. O problema, decorrente de um período de quase dois meses sem serviços de dragagem, coloca em alerta o setor portuário da região, que depende da manutenção constante para garantir a navegabilidade de grandes embarcações.

A profundidade, que deveria ser mantida em 14 metros para assegurar a eficiência das operações, caiu para aproximadamente 13,5 metros. Essa restrição física impacta diretamente a capacidade de atracação de navios de maior porte, especialmente os cargueiros de contêineres que compõem o fluxo principal dos dois complexos portuários.

Impactos na logística e movimentação de cargas

A redução na profundidade do canal traz consequências imediatas para a economia local e para a eficiência das operações portuárias. Segundo estimativas da Portonave, a limitação operacional pode gerar um impacto negativo de até 10% na movimentação de cargas no Porto de Navegantes.

A situação é agravada pela necessidade de uma folga adicional de 30 centímetros abaixo da quilha, exigência técnica estabelecida pela Capitania dos Portos após uma verificação oficial realizada no dia 28. Sem a profundidade adequada, navios programados para atracar na região enfrentam dificuldades, o que exige ajustes logísticos e pode causar atrasos nas cadeias de suprimentos.

Falhas na gestão e ausência de dados atualizados

O serviço de dragagem, essencial para a manutenção do canal, sofreu uma interrupção no início do ano, sendo retomado apenas no começo de abril por meio de um contrato emergencial. Apesar da retomada, a Codeba (Companhia Docas do Estado da Bahia), atual autoridade portuária responsável, ainda não encaminhou à Capitania dos Portos um novo levantamento batimétrico.

Este documento é fundamental para definir as condições seguras de navegação. O último levantamento disponível datava de janeiro e possuía validade apenas até o dia 22 de março. Desde o dia 26 daquele mês, a Capitania já havia emitido alertas sobre os riscos operacionais em um cenário onde o canal permanecia sem um contrato de dragagem ativo.

Histórico de instabilidade e disputas administrativas

O cenário atual é reflexo de um período marcado por instabilidade administrativa e tensões políticas envolvendo o Porto de Itajaí. Após dificuldades financeiras e operacionais, a gestão foi transferida em janeiro de 2025 para a Autoridade Portuária de Santos, por solicitação do Ministério de Portos e Aeroportos, resultando em atritos políticos locais.

Posteriormente, a administração foi delegada à Codeba. Embora a companhia tenha inicialmente priorizado a estruturação da concessão definitiva em detrimento de contratações emergenciais, a pressão de agentes do setor forçou a revisão da estratégia. Atualmente, o projeto de concessão do canal de acesso está sob análise do Tribunal de Contas da União, com expectativa de votação em plenário para o mês de junho.

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