Facções criminosas em El Salvador: ministro revela como grupos usurparam funções do Estado
Em uma declaração contundente durante evento em São Paulo, o ministro da Segurança Pública e Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro, trouxe à tona a grave realidade enfrentada por seu país: a usurpação de funções estatais por organizações criminosas. Segundo Villatoro, essas facções não se limitavam a atividades ilícitas tradicionais, mas avançavam para o controle territorial, impondo sua própria ordem e sistema de “justiça” sobre a população.
A fala do ministro, proferida em um congresso sobre segurança pública promovido pela Fiesp, destacou como esses grupos criminosos submetiam moradores, cobravam extorsões, mantinham estruturas armadas e, de fato, exerciam um poder paralelo ao do Estado. A situação, conforme descrito, representava um desafio direto à soberania e à capacidade governamental de garantir a segurança e o bem-estar de seus cidadãos.
O Domínio Territorial e a Submissão Cidadã
Villatoro detalhou que as organizações criminosas em El Salvador transcenderam a mera prática de crimes, estabelecendo um controle profundo sobre as comunidades. Em vez de recorrerem às instituições legítimas, como a polícia ou o sistema judiciário, os moradores eram forçados a buscar os líderes das facções para resolver conflitos e obter alguma forma de “justiça”.
O ministro ilustrou a gravidade da situação: “Quando eu tinha um problema da comunidade, vocês acham que eles procuravam a polícia ou procuravam o juiz de paz para que intermediasse a situação? Claro que não. O salvadorenho ia falar com o chefe da facção e aquela pessoa da facção era quem impunha a Justiça com mão forte”. Essa dinâmica criava um ambiente onde a autoridade estatal era minada e a população vivia sob o jugo do crime organizado.
A Estrutura Paralela: Extorsão e “Exército” Próprio
As facções, segundo Villatoro, desenvolveram mecanismos próprios de arrecadação e manutenção de poder. A extorsão era uma fonte primária de renda, garantindo o financiamento de suas operações. Além disso, esses grupos possuíam um verdadeiro “exército” para impor e manter o controle sobre os territórios que dominavam, diferenciando-se significativamente do crime organizado tradicional.
“Eles submetiam os cidadãos que estavam dentro dos seus territórios. Naquele momento existiam mecanismos de arrecadação, a renda de extorsão”, afirmou o ministro. Ele ressaltou que a principal diferença entre o crime organizado tradicional e essas facções é que estas últimas “acabam usurpando a nação e praticamente acabam sendo muito mais eficientes nessa arrecadação, eles têm um exército e são os que trazem a Justiça nesse território de fato”. A estimativa é que essas organizações contavam com mais de 40 mil integrantes, e os homicídios eram frequentemente cometidos sob ordens diretas de sua estrutura de comando.
A Resposta Estatal: Estratégia de Recuperação
Diante desse cenário desafiador, o governo do presidente Nayib Bukele (Nuevas Ideas, direita) implementou uma estratégia focada no combate às organizações criminosas como estruturas completas. O objetivo primordial é recuperar os territórios que estavam sob o controle desses grupos e, consequentemente, restabelecer a plena atuação do Estado em todas as suas funções legítimas.
A abordagem visa desmantelar não apenas as atividades criminosas pontuais, mas a própria capacidade das facções de usurpar o papel do governo, devolvendo à população a segurança e a confiança nas instituições estatais. A luta contra esses grupos é vista como essencial para a reafirmação da soberania nacional e a garantia de um futuro mais seguro para El Salvador.
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