Elétricos serão 1/3 da frota em 2035 e consumo de combustíveis vai cair 20%

Os veículos elétricos ou híbridos devem chegar a 31% da frota brasileira em 2035, com impactos diretos no mercado de combustíveis (derivados de petróleo ou etanol) e até na arrecadação de impostos, segundo estudo do Bradesco BBI divulgado nesta quinta-feira (3).

As vendas de eletrificados alcançaram 212 mil unidades, de janeiro a julho, e vêm ganhando participação ano a ano no mercado.

Hoje os elétricos e híbridos representam 16% das vendas — quatro vezes mais do que em 2023. No entanto, ainda representam uma parcela relativamente pequena da frota total: apenas 3% dos 36,5 milhões de veículos rodando nas ruas do país.

Conforme projeções do Bradesco BBI, esse “share” deverá crescer gradualmente na próxima década. Sobe para 10% em 2029, vai a 20% em 2032 e atinge 31% da frota em circulação em 2035.

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O estoque de veículos a combustão permanecerá dominante em razão da idade do parque circulante e do lento ciclo de renovação da frota, afirma o banco em relatório distribuído a clientes, mas os eletrificados serão mais de metade das novas vendas no fim do período analisado.

“Sob a ótica da segurança energética, trata-se de um movimento positivo, uma vez que reduz a necessidade de importações de gasolina A e fortalece a autossuficiência do abastecimento nacional”, diz o Bradesco BBI, em texto assinado pelo economista Filipi Cardoso.

“Além disso, a elevação da mistura de etanol anidro para 35%, prevista para os próximos anos, tende a ampliar a absorção da produção doméstica, podendo inclusive gerar excedentes exportáveis dos combustíveis fósseis.”

O consumo de combustíveis — gasolina e etanol — deve ser de 62,8 milhões de litros em 2026. Pelas projeções, cairá para 50,7% milhões de litros em 2035.

De acordo com o relatório, a redução estrutural da demanda por combustíveis líquidos representa um desafio para a cadeia sucroenergética.

“O setor tem ampliado investimentos em etanol de milho e segue sendo referência global na produção de etanol de cana-de-açúcar. Em um ambiente de menor crescimento do consumo doméstico, períodos de elevada oferta poderão pressionar margens e aumentar a volatilidade dos preços”, afirma.

” Nesse contexto, torna-se fundamental desenvolver novos mercados para o etanol além do transporte rodoviário. Entre as oportunidades mais promissoras destacam-se sua utilização no transporte marítimo e em máquinas agrícolas, segmentos que apresentam potencial de descarbonização e podem ser atendidos com adaptações limitadas na infraestrutura já existente de produção e distribuição.”

A produção de SAF (combustível sustentável de aviação) a partir do etanol também é apontada como uma possibilidade, bem como a geração de energia elétrica com a queima do bagaço de cana.

A infraestrutura de recarga dos veículos elétricos já tem crescido. Havia aproximadamente 800 pontos de carregamento em 2021. Esse número passou para 14.827 pontos em 2025. Cerca de 30% ainda estão concentrados no estado de São Paulo.

Considerando uma frota futura de 11,8 milhões de veículos eletrificados em 2035, a eletrificação do transporte deverá produzir um aumento expressivo na demanda energética e na necessidade de baterias no Brasil.

A demanda de eletricidade para recarga poderá alcançar cerca de 13,5 TWh (terawatts-hora) em 2035, volume aproximadamente 21 vezes superior ao consumo atual associado à frota eletrificada.

O relatório do Bradesco BBI chama a atenção ainda para um ponto pouco comentado no avanço dos veículos elétricos e híbridos: o risco de perda de arrecadação para os governos.

“Uma parcela da arrecadação tributária brasileira está associada aos derivados de petróleo. Embora a redução estimada do consumo de combustíveis até 2035 ainda seja relativamente limitada diante do mercado nacional, a trajetória projetada indica alguma perda de arrecadação. Essa discussão tende a ganhar relevância após 2035, conforme a participação dos elétricos avance no perfil da frota brasileira”, diz o texto.

Fonte:CNN Brasil