Estação Ferroviária da cidade de Sobral será Escola de Artes Visuais

Patrimônio da cidade de Sobral, incluído na área de tombamento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o velho prédio da antiga Estação Ferroviária foi transformado em um canteiro de obras há poucos dias. O trabalho de restauro terá como resultado um espaço moderno que abrigará a nova Escola de Artes Visuais do Município, preservando a arquitetura original da edificação, construída em 1882, em um período de franca expansão comercial da região Norte do Ceará, por meio da ferrovia.

O progresso, que passou viajar sobre rodas atrelado aos novos tempos, trouxe mudanças profundas, não apenas no comportamento social e econômico das novas gerações, mas na forma de se deslocar de uma cidade a outra, e de transportar bens de consumo. O prédio permaneceu com intensa movimentação de trens de passageiros e de cargas até o ano de 1988, quando os trens de viagem deixaram de circular, permanecendo somente o transporte cargueiro. O resultado foi o completo abandono da estrutura até os dias de hoje.

Obra

O projeto da reforma contemplará a estação com espaços para uso coletivo, priorizando a preservação da cultura local, com a restauração de fachadas, esquadrias e pinturas ornamentais, além de mudanças em todos os ambientes internos, que serão totalmente recuperados e adaptados para receber pessoas com deficiência, nesse caso, com a instalação de um elevador.

De acordo com Francisco Emiliano da Costa, mestre de obras à frente da empreitada, a limpeza do lugar já rendeu bastante esforço, já que o espaço e seu entorno estavam em completa sujeira. ” Tivemos que remover muito lixo acumulado, entulho, e material de alvenaria pertencente à própria edificação, que estava completamente deteriorado. A mudança estrutural será em algumas alvenarias internas, que vão se adequar ao novo projeto, mas a parte externa ficará idêntico ao modelo original”, garante o mestre de obras.

Iniciada no dia 26 de junho, a restauração conta com o esforço de 14 operários que trabalham todos os dias para dar celeridade ao empreendimento. Ainda, segundo o mestre de obras, vindo de Fortaleza para ajudar a tirar o projeto do papel, “eu me sinto um privilegiado em ter como responsabilidade a restauração de um prédio tão belo como esse. Pela análise preliminar que fizemos antes de iniciarmos as atividades, percebemos que essa estrutura não tinha mais como se manter de pé, apesar de vir de um tempo onde a alvenaria era feita para atravessar séculos. Tudo aqui estava bastante comprometido, e saber que o prédio abrigará um espaço completamente voltado à cultura, me deixa muito feliz”, revela o experiente profissional em meio às equipes de trabalho.

Área verde

A Escola de Belas Artes de Sobral abrigará cursos de artes plásticas, artes visuais, audiovisual, dentre outras atividades promovidas pela Secretaria da Cultura, Juventude, Esporte e Lazer (Secjel) e Instituto ECOA. De acordo com Marília Ferreira, secretária do Urbanismo e Meio Ambiente de Sobral, “no projeto também está prevista a urbanização do entorno da Estação, o que contribuirá para uma completa ocupação do espaço, com a promoção de esporte, cultura, lazer, dentro de mais áreas verdes e de convivência para a comunidade”, diz a secretária sobre o novo equipamento cultural da cidade e complementa.

“A escolha do local para a construção da Escola de Belas Artes se deu, sobretudo, pela relevância histórica desse prédio para o Município de Sobral , valorizando e preservando assim, o patrimônio histórico e cultural da cidade.

Resgate

Ainda em plena era de forte movimentação da ferrovia no Ceará, foi por volta de 1950 que a linha de Itapipoca, vinda de Fortaleza, chegou a Sobral e o trecho até Camocim, no litoral oeste, tornou-se um ramal. A estação de Sobral passou a ser entroncamento das duas linhas. À época, toda a estrutura, até então, ainda trazia a força da mobilização social de resgata às vítimas da intensa seca que se abateu sobre o Ceará, entre os anos de 1877 e 1879, assim como a ligação do Império com a vigente economia agroexportadora, que direcionava toda a produção nacional para a Europa. Essa necessidade fez com que muitos estados brasileiros fossem cortados pela extensa malha ferroviária que servia de corredor para o mar. No caso da região Norte, para o intenso transporte de algodão, chamado “ouro branco”.

O ostracismo veio com as sérias mudanças no ciclo econômico e na velocidade em que o mundo passou a avançar, trocando a estrada de ferro pelas rodovias. De acordo com o historiador Dênis Melo, “a estação, assim como a ferrovia, teve importante impacto na vida das pessoas, não apenas no valor econômico ou social, mas fundamentalmente cultural da cidade. Esse bem patrimonial precisa ser conservado e muito bem utilizado pelas novas gerações. O prédio ainda mantém fortes intercessões temporais, principalmente para quem vivenciou seus últimos dias. Essa iniciativa é muito importante para a história local”, explica.

Jonas Deison

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