Ex-professor de medicina é preso por suspeita de assédio sexual no Ceará

Um médico e ex-professor universitário foi preso preventivamente nesta quinta-feira (29), em Quixadá, no interior do Ceará, suspeito de assédio sexual e violência psicológica contra uma ex-aluna de uma instituição de ensino superior. A prisão ocorreu a pedido do Ministério Público do Ceará, que investiga a conduta do ex-docente quando ele atuava no curso de medicina de uma faculdade privada do município.

Segundo o Ministério Público, há indícios de que o investigado teria utilizado a posição acadêmica para constranger a estudante a manter relações de cunho sexual, oferecendo vantagens acadêmicas, como acesso a avaliações e pontuação em trabalhos. A ordem de prisão foi expedida pelo juízo da 1ª Vara Criminal de Quixadá.

De acordo com o órgão ministerial, os fatos apurados teriam ocorrido enquanto o suspeito exercia a função de professor universitário. Além da denúncia inicial, o Ministério Público informou que existem indícios de outras possíveis condutas criminosas e de mais vítimas, motivo pelo qual as investigações seguem em andamento até a completa elucidação do caso.

Ainda conforme o MP, a prisão preventiva foi solicitada não apenas pela gravidade das acusações, mas também para garantir a ordem pública, preservar o andamento das investigações e evitar novas abordagens ou intimidações à vítima. O processo tramita em segredo de Justiça.

A prisão integra a operação Bisturi Acadêmico, deflagrada pelo Ministério Público do Ceará, por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Quixadá, em conjunto com equipes da Delegacia de Defesa da Mulher, da Polícia Militar e da Polícia Penal. A ação foi coordenada pelo promotor de Justiça Bruno Barreto e teve como objetivo o cumprimento de mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão.

Defesa contesta prisão preventiva
Em nota, a defesa do médico Yuri Silva Portela informou que a prisão preventiva foi decretada no âmbito de investigação que apura suposta prática de ilícito ocorrido em abril de 2025. Os advogados afirmam que o investigado mantém compromisso com o esclarecimento dos fatos e confia no devido processo legal.

Segundo a defesa, a decisão judicial se baseia, principalmente, em trechos isolados de conversas virtuais, que teriam sido analisados de forma descontextualizada, sem avaliação integral do conteúdo, da dinâmica das comunicações e das circunstâncias em que as mensagens teriam sido trocadas. Ainda conforme o posicionamento, a autenticidade, a completude e a interpretação dessas comunicações seguem sob apuração técnica, sem conclusão pericial definitiva até o momento.

A defesa também destaca que, durante a fase investigativa, não houve imputação de violência física, grave ameaça ou coação direta, tratando-se, segundo os advogados, de suposta conduta de natureza exclusivamente verbal e moral.

Os representantes legais afirmam ainda que consideram a prisão preventiva desnecessária e desproporcional, apontando ausência de contemporaneidade dos fatos e ressaltando que o investigado permaneceu à disposição das autoridades, colaborando com as apurações. Por fim, informam que as questões jurídicas serão discutidas nos autos e que confiam no reconhecimento da desnecessidade da custódia cautelar, em observância aos princípios constitucionais.

Denúncias

O Ministério Público do Ceará orienta que pessoas que tenham informações sobre o caso ou sobre situações semelhantes procurem a Promotoria de Justiça responsável para agendar atendimento. A unidade funciona na Avenida Jesus Maria José, nº 31, no bairro Jardim dos Monólitos, em Quixadá.

As investigações seguem sob sigilo judicial.

Fonte: GC+