Fazenda de R$ 161 milhões no Mato Grosso do Sul vai a leilão em meio à crise do agronegócio
A onda de recuperações judiciais que assola o setor do agronegócio brasileiro alcança agora ativos de valor expressivo. Uma fazenda de 2.727 hectares, conhecida por sua ligação com a produção do arroz Tio Bepy, em Miranda, no Mato Grosso do Sul, foi oficialmente colocada em leilão judicial. O valor de referência para a propriedade é de R$ 161 milhões, com o objetivo de saldar dívidas com diversos credores.
Este evento reflete um cenário de crescente dificuldade financeira para empresas do setor, que buscam na recuperação judicial uma saída para reestruturar seus débitos. A venda da Fazenda Pouso Alegre destaca a magnitude dos desafios econômicos enfrentados por produtores rurais e grupos agrícolas de grande porte.
Leilão milionário em Miranda para quitar dívidas
A Fazenda Pouso Alegre, um dos principais bens do grupo, possui uma infraestrutura robusta e é dedicada à produção de arroz irrigado. A propriedade conta com um avançado sistema de captação de água, extensos canais de irrigação, estruturas de apoio à produção, uma sede completa e até mesmo uma pista de pouso, elementos que agregam valor significativo ao imóvel.
O processo de leilão teve início para recebimento de lances em 31 de agosto e se estenderá até 13 de outubro de 2026. Caso não haja interessados na primeira fase, o valor da fazenda poderá ser ajustado, com uma redução de até 20%. Isso faria com que o preço de referência caísse para aproximadamente R$ 128,8 milhões, tornando a aquisição potencialmente mais acessível.
A estrutura da Fazenda Pouso Alegre e seu histórico
Esta não é a primeira vez que a Fazenda Pouso Alegre é oferecida no mercado judicial. O imóvel já havia sido objeto de leilão em julho de 2024, quando o lance mínimo estipulado era de cerca de R$ 147 milhões. A propriedade é composta por nove matrículas contíguas e está estrategicamente localizada a cerca de quatro quilômetros da área urbana de Miranda, às margens da rodovia MS-339, que conecta o município a Bodoquena.
A avaliação atual de R$ 161 milhões para a fazenda representa um valor aproximado de R$ 59 mil por hectare. É importante notar que este cálculo serve como uma referência, pois o preço final estabelecido pela Justiça considera o conjunto do patrimônio. Isso inclui não apenas as terras, mas também as benfeitorias e toda a infraestrutura existente, especialmente as instalações voltadas para a operação de produção irrigada, que elevam seu valor em comparação com áreas sem tal investimento.
Dívidas e credores impulsionam a venda de ativos
A Fazenda Pouso Alegre está diretamente ligada ao grupo responsável pelo Engenho Tio Bepy, uma empresa com atuação consolidada na industrialização e comercialização de arroz. A execução judicial que culminou na venda do imóvel decorre de dívidas com uma série de credores, incluindo grandes instituições como Petrobras, Banco do Brasil e Bradesco.
Além dos débitos com esses credores, o processo judicial indica a existência de obrigações tributárias associadas às matrículas do imóvel. Contudo, as condições do leilão preveem que essas dívidas fiscais não serão transferidas para o comprador, garantindo maior segurança jurídica ao futuro proprietário. Outro bem da mesma família, uma casa de 124 metros quadrados em um terreno de 300 metros quadrados em Miranda, também foi incluído na venda judicial, com um valor mínimo de R$ 200 mil.
Crescimento das recuperações judiciais no setor agrícola
O leilão da Fazenda Pouso Alegre ocorre em um período de notável aumento nas dificuldades financeiras enfrentadas por empresas do agronegócio. Dados recentes revelam que, no primeiro trimestre de 2026, Mato Grosso do Sul registrou 70 empresas em recuperação judicial, um aumento significativo em comparação com as 44 registradas no mesmo período de 2025. Este crescimento representa uma alta de 59,1% em apenas um ano.
A análise de um período mais amplo mostra uma escalada ainda mais acentuada: em 2024, o estado contava com 28 empresas em recuperação judicial. Em apenas dois anos, o número saltou de 28 para 70, evidenciando um aumento de 150%. Esse cenário sublinha a pressão econômica sobre o setor e a necessidade de reestruturações financeiras, como a que levou este patrimônio milionário a leilão. Para mais detalhes sobre o processo, consulte o diário oficial.
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